A pressão sobre o regime do presidente Robert Mugabe do Zimbábue aumentou nesta quinta-feira com o anúncio dos Estados Unidos da clara vitória do opositor Morgan Tsvangirai nas eleições presidenciais realizadas no dia 29 de março no país.

A subsecretária de Estado americana para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, assegurou nesta quinta-feira que o povo havia "votado pela mudança".

"Os resultados mais críveis de que dispomos neste momento dão clara vitória a Morgan Tsvangirai no primeiro turno e talvez uma vitória total", declarou Frazer durante encontro com a imprensa em Pretoria.

Os resultados das eleições presidências de 29 de março ainda não foram divulgadas pelo governo. O Movimento pela Mudança Democrática (MDC) de Morgan Tsvangirai foi declarado vencedor nas eleições legislativas que ocorreram simultaneamente, mas os resultados estão no ar, já que a comissão eleitoral está recontando os votos em algumas regiões e informa os resultados parciais aos poucos.

Frazer assegurou que, devido ao atraso dos resultados, os Estados Unidos receberão qualquer resultado oficial divulgado pelo governo de Harare com grande ceticismo. "Qualquer resultado neste momento terá pouca credibilidade", disse.

"O povo votou pela mudança e acreditamos que o desejo do povo deva ser respeitado", acrescentou.

Frazer falou também sobre a crescente preocupação por parte de Washington "com a violência e os abusos dos direitos humanos que assolam o Zimbábue desde as eleições".

"Não podemos permitir que a situação se agrave", alertou.

As declarações de Frazer foram feitas logo depois de uma associação de médicos zimbabuenses denunciar que seus membros trataram de pelo menos 323 pacientes gravemente feridos e torturados desde a eleição.

A associação Human Rights Watch também acusou os seguidores de Mugabe de perseguir os opositores e de prendê-los e agredi-los em campos de tortura.

O MDC assegurou que 10 de seus militantes foram assassinados, ainda que o governo de Mugabe, no poder desde a independência do país em 1980, negou estas acusações.

Por outro lado, a pressão internacional obrigou nesta quinta-feira um barco com um carregamento de armas chinesas que iriam ao Zimbábue a voltar no caminho. "Pelo que sei, a empresa chinesa decidiu trazer de volta o barco", informou o porta-voz do ministro de Relações Exteriores chinês, Jian Yu. Pequim tomou a decisão depois que os Estados Unidos pediram na última terça-feira que a China ordenasse a volta do navio e renunciasse a futuras vendas de armas ao Zimbábue.

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