Em Seul, Hillary Clinton afirma que país vai congelar os bens de bancos ou pessoas que contribuem com proliferação nuclear

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira novas sanções contra o regime da Coreia do Norte, e alertaram para sérias consequências caso o país ataque a Coreia do Sul. As relações na península da Coreia estão tensas desde que Seul acusou Pyongyang de ter torpedeado uma corveta sua, em março, matando 46 marinheiros.

Em visita a Seul, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse que os EUA estão dispostos a retomar as negociações internacionais para o desarmamento nuclear norte-coreano caso Pyongyang transmita um "sinal positivo", mas que até agora isso não ocorreu.

Hillary afirmou que Washington vai congelar os bens de bancos ou pessoas que realizem atividades vinculadas com a proliferação nuclear, além de restringir a entrada nos EUA de diplomatas norte-coreanos. Essas medidas estão destinadas a "melhorar nossa capacidade de evitar a proliferação norte-coreana, de pôr fim as suas atividades ilícitas, que ajudam a financiar seus programas de armamento, e de desencorajar outros atos de provocação", disse Hillary em uma entrevista coletiva à imprensa em Seul.

Secretária de Estado dos EUA anuncia hoje novas sanções à Coreia do Norte
AFP
Secretária de Estado dos EUA anuncia hoje novas sanções à Coreia do Norte

Ela insistiu que as sanções adicionais não afetarão a população da Coreia do Norte, um dos países mais miseráveis e isolados do mundo. Lembrou, além disso, que Washington mantém três linhas estratégicas contra a Coreia do Norte: esforços diplomáticos com países aliados, reforço da aliança com a Coreia do Sul e pressão contra a cúpula norte-coreana.

Hillary e o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, se reuniram em Seul com seus colegas sul-coreanos, Yu Myung-hwan e Kim Tae-Young, no diálogo "2+2" realizado por ocasião do 60º aniversário do início da Guerra da Coreia (1950-1953).

Após a reunião, os ministros emitiram comunicado no qual advertiram à Coreia do Norte que qualquer comportamento "irresponsável" terá "sérias consequências", enquanto recomendaram que encerrem "todos seus programas nucleares".

China pede calma

A China, única aliada relevante da Coreia do Norte, manifestou "profunda preocupação" com o anúncio de que Coreia do Sul e EUA realizarão um exercício militar conjunto em 25 de julho. Na terça-feira, a TV estatal chinesa mostrou manobras navais da Marinha local. "Pedimos às partes relevantes que se mantenham calmas e exerçam a moderação, e não façam nada para exacerbar as tensões regionais", disse Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, em nota.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, propôs a retomada das relações militares EUA-China, suspensas neste ano devido aos planos norte-americanos de vender armas a Taiwan.

Sanções

A Coreia do Norte já foi submetida a outras sanções internacionais por causa dos testes de mísseis e armas nucleares feitos nos últimos anos. Mas analistas dizem que as novas medidas dos EUA terão impacto limitado.

"As sanções anunciadas pelos EUA não irão realmente afetar a economia norte-coreana, pois todas as sanções possíveis já foram impostas", disse Paik Haksoon, pesquisador sênior do Instituto Sejong, de Seul. "A China está cooperando economicamente com a Coreia do Norte porque a estabilidade da Coreia do Norte é um interesse nacional chave para a China."

Na opinião de Paik, o líder norte-coreano Kim Jong-il dificilmente irá alterar suas políticas ou aceitar concessões aos EUA. As negociações multilaterais para o desarmamento nuclear do país estão paralisadas há um ano e meio.

* Com Reuters e AFP

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