EUA anunciam negociações diretas entre Israel e palestinos

Secretária de Estado anuncia retomada de negociações após 20 meses, em uma pequena vitória de Obama no Oriente Médio

iG São Paulo |

Israel e os palestinos concordaram em retomar negociações diretas pela primeira vez em 20 meses, anunciou nesta sexta-feira a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. O anúncio representa uma pequena vitória do presidente americano, Barack Obama, no Oriente Médio.

"Após consultas com ambos os lados, em nome do governo dos Estados Unidos, eu convidei o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, a se encontrarem em 2 de setembro, em Washington, para relançar as negociações diretas", afirmou Clinton.

"Essas negociações devem ocorrer sem pré-condições e ser caracterizadas pela boa-fé e um comprometimento com seu sucesso, que trará um futuro melhor para todas as pessoas da região", disse a secretária. Segundo ela, as negociações podem ser concluídas dentro de um ano.

AP
A secretária de Estado Hillary Clinton anuncia negociações diretas entre Israel e palestinos ao lado do enviado especial dos EUA para Oriente Médio, George Mitchell
Em um comunicado, o Quarteto para o Oriente Médio - União Europeia, Nações Unidas, Estados Unidos e Rússia - reafirma seu firme apoio às negociações diretas entre as duas partes.

Segundo Clinton, o presidente Barack Obama convidou o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah, da Jordânia, para comparecer ao encontro em Washington. "Em razão de seu papel crítico neste esforço. Sua contínua liderança e comprometimento com a paz é essencial para o nosso sucesso", disse a secretária.

Antes da reunião do dia 2 de setembro, Obama deverá manter encontros bilaterais com os quatro líderes no dia 1º, seguidos de um jantar.

O ex-premiê britânico Tony Blair, representante do Quarteto (grupo formado por Estados Unidos, Nações Unidas, União Europeia e Rússia para mediar o processo de paz), também foi convidado, disse Clinton.

"Difícil, mas possível"

Após o anúncio de Hillary, Netanyahu disse que aceita o convite e que chegará à mesa de negociação "com o desejo genuíno de conseguir a paz entre os dois povos e preservar os interesses nacionais de Israel, o principal deles sua segurança", informaram jornais locais. O primeiro-ministro israelense disse que conseguir um acordo é "difícil, mas possível".

A Organização da Libertação da Palestina (OLP) também aceitou recomeçar as negociações diretas de paz com Israel, anunciou Yasser Abed Rabbo, integrante do grupo.

Sem garantias

As negociações diretas de paz entre Israel e palestinos foram interrompidas em dezembro de 2008, quando os israelenses lançaram uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza. Nas últimas semanas, o enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio, Robert Mitchell, fez contato com autoridades israelenses e palestinos com o objetivo de permitir a retomada das negociações.

Netanyahu vinha repetindo estar pronto para a retomada das negociações, mas sem precondições. Já Abbas desejava garantias que as fronteiras do futuro Estado palestino vão ser baseadas nas linhas do cessar-fogo após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Abbas também exigia o congelamento de construções em assentamentos judaicos em territórios palestinos ocupados antes da retomada de negociações.

Segundo a BBC, porém, mesmo com os dois líderes concordando em negociar, a possibilidade de sucesso é restrita já que eles enfrentam forte pressão de vários grupos e possuem pouca margem de barganha.

Existem também sérios desentendimentos em alguns dos principais temas. No final de semana grupos palestinos baseados na Síria, incluindo o Hamas, rejeitaram a possibilidade da retomada de negociações diretas com os israelenses.

*Com AFP e BBC

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