EUA analisam mudanças exigidas por Iraque em acordo de segurança

Por Peter Graff BAGDÁ (Reuters) - Os EUA disseram nesta quarta-feira que estão analisando as mudanças exigidas pelo Iraque em um pacto de segurança que estipula as condições sob as quais os soldados norte-americanos operariam dentro do território iraquiano a partir de 2009.

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O Iraque anunciou na semana passada que desejava realizar alterações no projeto final do acordo elaborado após meses de negociações com os EUA e que deve substituir o atual mandado da Organização das Nações Unidas (ONU), que deixa de vigorar no fim deste ano.

A impossibilidade de concluir o pacto ou de renovar o mandato da ONU significaria a interrupção das operações norte-americanas no Iraque. O projeto de acordo prevê a redução paulatina do contingente militar dos EUA até o final de 2011 e inclui concessões dos norte-americanos sobre a suspensão da imunidade para soldados seus que violarem leis iraquianas.

Os dois lados parecem ansiosos para chegar a um acordo antes de expirar o mandado concedido pelo Conselho de Segurança da ONU. O gabinete de governo do Iraque agiu rapidamente, aprovando as sugestões de mudança na terça-feira e enviando-as diretamente aos EUA.

"Nós as recebemos. Nós estamos avaliando-as", afirmou Susan Ziadeh, porta-voz da embaixada norte-americana a respeito das exigências.

A proposta de emenda feita pelo Iraque não foi divulgada, mas Ali al-Dabbagh, porta-voz do governo iraquiano, disse na terça-feira que constavam das exigências mudanças no "conteúdo" do documento bem como na redação de trechos dele.

Autoridades norte-americanas não esconderam sua frustração com o fato de o Iraque ter manifestado o desejo de alterar o pacto, que parecia ter sido concluído após meses de negociações delicadas com uma equipe de assessores de alto escalão escolhidos a dedo pelo primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.

O pacto precisa ser enviado ao Parlamento para ser aprovado.

O governo norte-americano deixou claro que não quer renegociar o conteúdo do acordo, o qual já inclui várias concessões importantes ao governo do Iraque, entre as quais uma data clara de retirada (2011) e a permissão para julgar os soldados norte-americanos acusados de envolvimento em crimes graves ocorridos fora de seu horário de serviço.

No entanto, a aceitação do pacto tem se mostrado algo politicamente complicado para os líderes iraquianos. Mesmo a própria coalizão xiita de Maliki, próxima do Irã (um inimigo dos EUA), vem resistindo ao acordo.

O ministro iraquiano do Meio Ambiente, Nermeen Othman, que participou da reunião de gabinete de terça-feira, disse que as propostas de mudança visavam especialmente acabar com as ambiguidades e não diziam respeito à cláusula da jurisdição criminal sobre os soldados norte-americanos.

O nível de violência dentro do Iraque caiu para seu menor patamar dos últimos quatro anos, dando ao governo iraquiano uma confiança maior para negociar com os EUA. Na quarta-feira, as forças norte-americanas entregaram ao Iraque o controle sobre uma Província localizada ao sul de Bagdá.

A Província de Wasit, que faz fronteira com o Irã, foi a 13a das 18 Províncias iraquianas cujo controle foi repassado. Apenas Bagdá e quatro Províncias instáveis do norte do país ainda continuam sob o comando dos EUA.

"A data de hoje é como um feriado nacional para a Província de Wasit e para a população dela", afirmou Mowaffaq al-Rubaie, assessor do governo iraquiano para a área de segurança. As declarações dele foram proferidas em um evento realizado no estádio de Kut (capital de Wasit) que terminou com uma parada militar.

(Reportagem adicional de Jaafar al-Taie em Kutl)

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