EUA alertam Rússia sobre ofensiva na Geórgia

O presidente americano, George W.Bush e seu vice, Dick Cheney, criticaram a ofensiva militar russa na Ossétia do Sul e o governo alertou o país sobre as possíveis conseqüências da ação para as relações internacionais da Rússia.

BBC Brasil |

Em entrevista ao canal de televisão NBC, Bush citou uma conversa que teve com o premiê russo, Vladimir Putin, na qual teria dito que a resposta russa na Geórgia foi "desproporcional".

"Disse que a violência era inaceitável. Fui muito firme com Vladimir Putin e espero que isso se resolva de maneira pacífica", disse Bush.

A postura do governo americano foi reforçada ainda pelo vice-presidente, Dick Cheney, em uma conversa telefônica com o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili.

Em um comunicado emitido pelo seu gabinete, Cheney teria dito ao líder da Geórgia que a agressão russa "não pode ficar sem respostas".

De acordo com Cheney, a contínua violência contra a Geórgia traria graves conseqüências para as relações da Rússia com os Estados Unidos e com o restante da comunidade internacional.

Segundo o correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, a conversa parece ter sido um esforço de enviar uma mensagem não apenas de solidariedade, mas de que o país estaria pronto para agir.

No entanto, oficiais da Casa Branca se recusaram a especular sobre a reação americana caso a ação militar russa na Geórgia continue.

Cessar-fogo

No domingo, o presidente da Geórgia declarou cessar-fogo e propôs o início das negociações com a Rússia para pôr fim à violência na Ossétia do Sul, que quer independência da nação georgiana e tem o apoio de Moscou.

Entretanto, a Rússia rejeitou o cessar-fogo, afirmando que tropas da Geórgia continuavam na província separatista.

A Geórgia acusa a Rússia de bombardear alguns alvos próximos da capital do país, Tbilisi, no domingo.

Ao mesmo tempo, Moscou acusa as tropas da Geórgia de bombardear a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali. O governo russo insiste que as tropas georgianas sejam completamente retiradas da Ossétia do Sul para que qualquer decisão de cessar-fogo seja cumprida.

O ministro do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili, afirmou que os ataques recentes da Rússia teriam atingido uma base militar e uma estação de radares na manhã desta segunda-feira. Não há informações sobre mortos ou feridos.

Milhares de pessoas deixaram Gori, depois de um anúncio de que tropas russas estariam se dirigindo em direção à cidade.

Há relatos de que a Rússia teria realizado uma ofensiva aérea contra a cidade na manhã desta segunda-feira, depois de diversos ataques durante a madrugada.

A Acnur, agência de refugiados da ONU, estima que cerca de 40 mil pessoas deixaram a cidade de Gori nos últimos dias, o que representa 80% da população.

A Acnur e agências humanitárias pedem que as partes em conflito criem um corredor para a passagem de civis que querem deixar a zona atingida.

Tensão

Além dos bombardeios nas duas capitais e as ofensivas em Gori, houve também uma escalada de tensão da região separatista de Abecásia.

Segundo a correspondente da BBC Natalia Antelava, o Exército georgiano acusa a Rússia de ter bombardeado a cidade de Zugdidi e um território dentro da Abecásia.

O líder do movimento separatista da província, Sergei Bagapsh, disse que ordenou que os militares se retirassem da região de Kodori Gorge, na Abecásia e estabeleceu um prazo para a retirada.

Há relatos de que o Exército russo deu um ultimato às forças georgianas em Abecásia, para que se desarmem ou enfrentem o ataque.

Segundo a agência de notícias russa Interfax, a ordem já foi rejeitada pela Geórgia.

A Geórgia acusa a Rússia de enviar 4 mil soldados para a Abecásia através do mar Negro. Já os separatistas da província rebelde dizem que a Geórgia enviou número igual de soldados para a divisa.

Uma missão diplomática internacional, liderada pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, está em Tbilisi para tentar negociar o fim do conflito.

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