EUA alertam que Irã pode desenvolver mísseis de longo alcance

Washington, 3 fev (EFE).- O alarme pelo lançamento de um satélite do Irã dominou as primeiras reuniões de Hillary Clinton como secretária de Estado americana, e Washington teme que com essa tecnologia Teerã desenvolva mísseis de longo alcance.

EFE |

Hillary se encontrou primeiro com seu colega britânico, David Miliband, e posteriormente com o alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Com as duas reuniões, a Administração de Barack Obama quer mostrar sua ênfase em trabalhar com seus aliados mais próximos e deixar de lado o unilateralismo de seu antecessor, George W. Bush.

Uma prova imediata para esse desejo de colaboração é formar uma frente comum com relação ao Irã.

Após o encontro com Miliband, Hillary entoou uma mensagem conciliadora.

"O Irã tem a oportunidade de dar um passo à frente e ser um membro produtivo da comunidade internacional (...) Nós estamos estendendo a mão, mas o punho (do Irã) tem de se abrir", disse.

Miliband declarou que essa nova atitude de Washington é "uma mensagem muito importante".

A nova secretária de Estado americana endureceu suas palavras após sua reunião com Steinmeier, e afirmou que "haverá consequências" se Teerã não cumprir as condições impostas pelo Conselho de Segurança da ONU para deter seu programa nuclear.

Steinmeier não escondeu seu alarme com o lançamento do satélite realizado pelo Irã, o que demonstra, em sua opinião, que o país possui "capacidades tecnológicas que requerem urgentemente a intensificação do diálogo".

O porta-voz do departamento de Estado americano, Robert Wood, também expressou a preocupação "profunda" de seu Governo sobre o lançamento do satélite iraniano.

Em comunicado, o funcionário assinalou que o desenvolvimento do foguete que pôs em órbita o satélite "estabelece a base tecnológica com a qual o Irã poderia criar sistemas de mísseis balísticos de longo alcance".

Wood lembrou que a Resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU proíbe os Governos de fornecer tecnologia que possa ser usada pelo Irã para fabricar sistemas para lançar bombas nucleares.

O Irã enfatizou que seu satélite é dedicado à pesquisa pacífica.

Os argumentos dos Estados Unidos também foram ouvidos em Paris, onde Eric Chevalier, um porta-voz do Ministério de Exteriores francês, disse estar preocupado com a "grande semelhança tecnológica" entre o lançamento de satélites e de mísseis.

O tema será tratado na quarta-feira na Alemanha, onde se reunirão representantes de China, França, Reino Unido, Rússia e do país anfitrião, as cinco nações que negociam com o Irã o abandono de seu programa nuclear.

Os Estados Unidos enviarão ao encontro a William Burns, o "número três" do Departamento de Estado, que terá a missão de "escutar" as conversas, já que o novo Governo ainda não concluiu sua revisão sobre a política em relação ao Irã, segundo Wood.

Os passos para encontrar uma solução final ao conflito do Oriente Médio foi outro dos temas tratados por Hillary com seus colegas europeus.

A diplomata prometeu que seu país manterá um empenho "profundo" de mediação na região, e como prova anunciou que seu enviado especial, George Mitchell, voltará ao Oriente Médio no final deste mês.

"Estamos apenas no princípio de um esforço profundo e consistente" para encontrar uma solução diplomática ao conflito, disse.

Já Mitchell brincou que não sabia que teria de viajar tanto, e disse que os líderes com os quais se reuniu em sua viagem querem que a própria Hillary visite suas capitais.

A primeira viagem de Hillary como secretária de Estado não será para o Oriente Médio ou a Europa, como é tradição, mas à Ásia, informaram fontes governamentais.

A ex-primeira-dama viajará a China, Japão e Coreia do Sul, entre outros países, e deixará a primeira visita do novo Governo à Europa para o vice-presidente, Joseph Biden, que participará esta semana da conferência na Alemanha. EFE cma/mh

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