EUA alertam cidadãos para riscos de ataques por queima do Alcorão

Em meio a protestos pelo mundo, autoridades advertem contra plano de pastor evangélico de queimar livro sagrado muçulmano no 11/09

EFE |

O Departamento de Estado dos Estados Unidos lançou nesta quinta-feira um alerta a seus cidadãos no exterior avisando sobre a possibilidade de manifestações violentas se um pastor evangélico levar adiante seu plano de queimar exemplares do Alcorão para marcar o aniversário do 11 de Setembro. Além disso, o FBI alertou que há possibilidade de represálias "extremistas".

O departamento lembra que alguns países, como o Afeganistão e a Indonésia, já realizam protestos, alguns deles violentos, contra os planos do pastor Terry Jones de queimar o livro sagrado do Islã no sábadio. Segundo a rede de TV "ABC" e outros meios de comunicação, um boletim interno do FBI avalia como "possivelmente verdadeira a informação sobre ameaças obtida por informantes e outras fontes". O FBI não comentou oficialmente o suposto boletim.

A advertência dos órgãos americanas foi feita no mesmo dia em que a organização internacional de cooperação policial Interpol lançou nesta um alerta global a seus 188 países-membros advertindo que existe uma grande possibilidade de ocorrer atentados por causa do plano de Jones.

A pedido das autoridades do Paquistão, o secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, disse que advertiu aos Estados-membros que, "se o plano de queimar o Alcorão for realizado como está planejado, há forte risco de que acontecam posteriormente ataques violentos contra gente inocente". "Apesar de não haver detalhes específicos sobre que tipo de atentados terroristas poderão ocorrer, o que está claro é que, se o Alcorão for queimado, haverá consequências trágicas", afirmou Noble em uma declaração.

Os alertas foram feitos depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter feito uma apelo para o pastor Terry Jones, idealizador da queima do Alcorão, desistir de sua ideia. Segundo o líder americano, o ato contra o livro sagrado dos muçulmanos auxilia a rede terrorista Al-Qaeda a recrutar militantes . Assim como o comandante das forças americanas e internacionais no Afeganistão, o general David Petraeus, Obama advertiu que o projeto do pastor coloca em perigo os soldados estrangeiros no Afeganistão e Iraque.

Um dos primeiros sinais de que grupos radicais podem realizar atentados em vingança pela queima do Alcorão foi feita pela milícia islâmica somali Al-Shabab, ligada à rede terrorista Al-Qaeda. Durante um discurso em uma mesquita na capital da Somália, Mogadíscio, Fuad Mohamed Khalaf, o terceiro no comando da Al-Shabab, assegurou que será realizada uma "dolorosa vingança" contra os ocidentais "seguidores da igreja".

Protestos muçulmanos

Milhares de afegãos protestaram nesta quinta-feira nas ruas de uma cidade a nordeste de Cabul, com frases contra os EUA e hostis aos cristãos, por causa do plano do pastor Jones.Também houve protestos no Paquistão, Índia e da comunidade muçulmana na Grã-Bretanha.

Os manifestantes afegãos, em sua maioria homens, ocuparam as ruas de Mahmud Raqi, na Província de Kapisa, nas imediações da base aérea americana de Bagram, informou o porta-voz do governo provincial, Abdul Halim Ayar. Eles gritavam "Abaixo os EUA" e outras frases antiamericanas e anticristãs. No início da semana, vários afegãos já haviam protestado em Cabul contra o plano.

No Líbano, o patriarca maronita, monsenhor Nasrallah Sfeir, disse que a ideia de Jones aprofundará ainda mais a divisão entre pessoas de diferentes religiões e culturas. Na Jordânia, o partido opositor mais importante, a Frente de Ação Islâmica, afirmou que a queima de cópias do Alcorão seria uma "declaração de guerra" contra o povo muçulmano. Para Bahrein, a ideia de Jones é um "movimento provocativo" e uma "afronta atroz" contra os países muçulmanos.

*Com EFE e AFP

    Leia tudo sobre: 11 de Setembroeuaalcorãoterry jonesflórida

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG