Os Estados Unidos estavam sabendo que Bogotá preparava uma operação de resgate dos reféns da guerrilha das Farc, e deram a entender que forneceram um apoio técnico à Colômbia, país com o qual mantêm uma cooperação militar.

"Estávamos a par desta fase preparatória, mas esta operação foi idealizada e conduzida pelos colombianos, com nosso total apoio. Eles não precisaram, porém, de nossa autorização", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

O ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, confirmou nesta quinta-feira que a operação foi "100% colombiana" e que Washington não tinha desempenhado "nenhum papel".

Entretanto, Perino e o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, destacaram que os Estados Unidos forneceram informações de inteligência e apoio técnico à operação que permitiu a libertação de 15 reféns na quarta-feira, entre eles Ingrid Betancourt e três americanos.

"Fazia tempo que a operação de resgate estava sendo preparada. Faz tempo que trabalhamos com os colombianos", disse Perino, lembrando que os Estados Unidos sempre tiveram como principal preocupação não arriscar a vida dos reféns.

A Casa Branca frisou que cabe a Bogotá dar mais detalhes sobre a ajuda americana, se assim o desejar.

O embaixador americano em Bogotá mencionou na imprensa colombiana e na rede CNN uma "cooperação estreita" entre Estados Unidos e Colômbia na operação de resgate, citando "trocas de informações de inteligência" e um "apoio técnico" americano.

O Pentágono foi mais discreto, elogiando a "operação colombiana" e lembrando as ligações militares estreitas entre os dois países.

"Temos uma longa relação com o governo colombiano, que inclui cooperação militar e compartilhamento de informações, mas esta operação de resgate foi planejada, dirigida e executada pelos colombianos", declarou um porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, recusando-se a evocar "os assuntos ligados à inteligência".

Os militares americanos se limitaram a admitir que colocaram à disposição de Bogotá meios de transporte para repatriar os reféns americanos.

Washington coopera ativamente com Bogotá na luta contra as drogas e o terrorismo.

No início de março, o Exército colombiano lançou uma operação que acabou acarretando a morte do número dois das Farc, Raúl Reyes. Esta operação havia sido planejada com informações fornecidas pelos serviços de inteligência americanos, havia admitido então o ministério colombiano da Defesa.

O Plano Colômbia, concluído em 2000 com Bogotá pelo governo do ex-presidente democrata Bill Clinton e mantido sob a administração do republicano George W. Bush, prevê uma ajuda financeira e logística para combater o tráfico de drogas e os grupos rebeldes na Colômbia.

A libertação dos reféns pelo presidente colombiano, Alvaro Uribe, é uma boa notícia para Bush, que transformou o apoio em dirigentes de direita em um dos eixos principais de sua política para a América Latina.

"Desde sua eleição, o presidente Uribe fez um ótimo trabalho para melhorar a segurança na Colômbia. É um dos melhores aliados e amigos que temos na América do Sul", declarou nesta quinta-feira a porta-voz da Casa Branca.

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