EUA afirmam que sua única conspiração na Bolívia é contra a pobreza

La Paz, 23 jul (EFE).- O Governo dos Estados Unidos afirmou hoje que sua única conspiração na Bolívia é contra a pobreza e ratificou sua confiança em seu embaixador Philip Goldberg, a quem o presidente Evo Morales acusa sempre de liderar um complô contra ele.

EFE |

O secretário de Estado americano adjunto para a América Latina, Thomas Shannon, afirmou isto em entrevista coletiva realizada no final de uma reunião realizada no início da manhã de hoje com o presidente Morales.

O encontro estabeleceu uma agenda de diálogo para melhorar as deterioradas relações bilaterais, que desde junho passam por um momento crítico, com a convocação a consultas de Goldberg para Washington, onde esteve entre meados deste mês e princípios de julho.

O clima que precedeu a reunião foi tenso por causa das insistentes denúncias de Morales contra os EUA: pois o governante lembrou a Shannon que deve pedir permissão antes de viajar para a região cocaleira de Chapare, pois o encontrou aconteceu em uma hora incomum e na última terça o governante chamou o representante americano de "gringo" em um tom pouco diplomático durante um discurso.

Na reunião, Morales afirmou que os EUA têm um plano para derrubá-lo e pediu a Shannon que interrompa estas ações, embora não se saiba publicamente o alcance das supostas provas que o presidente boliviano apresentou.

Shannon disse que prefere que o Governo boliviano explique estas supostas provas, mas ratificou que Washington não conspira contra Morales, amigo e aliado de Venezuela e Cuba.

Morales também acusou a agência americana para o desenvolvimento internacional (usaid), de distribuir dinheiro entre líderes sociais para encorajar protestos, o que fez com que os cocaleiros expulsassem voluntários desta entidade da região de Chapare.

"A única conspiração que existe é contra a pobreza, contra a desigualdade e contra a exclusão social", declarou Shannon durante a entrevista coletiva. Ele também afirmou que os dois Governos decidiram trabalhar neste sentido para melhorarem as relações bilaterais.

Sobre o assunto, o ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, declarou à imprensa que Morales pediu expressamente a Shannon que "deixem de conspirar politicamente" e lhe afirmou também que conspirem juntos contra a pobreza e reconstruam sua confiança mútua.

Também lhe pediu que a cooperação da USAID esteja dirigida "única e exclusivamente para o desenvolvimento econômico" e, se for possível, que seja ajudado o programa "Evo Cumpre, Bolívia Avança", plano para distribuir dinheiro para obras, organizações e instituições e que atualmente funciona com fundos venezuelanos.

Shannon disse que os programas dos EUA serão aplicados com a "transparência necessária" e serão estabelecidos caminhos de diálogo para que a "preocupação ou acusação" de Morales, sobre a suposta conspiração política, "não surja no futuro".

O funcionário americano também ratificou que seu país não poderia ter "um melhor embaixador" em La Paz que Goldberg, pois "é um diplomata muito respeitado em Washington", embora seja o principal alvo das denúncias de Morales.

O outro tema de conflito abordado na reunião foi o refúgio político que os EUA concederam ao ex-ministro da Defesa Carlos Sánchez Berzaín, ao qual o Governo Morales quer ver extraditado junto com o ex-líder Gonzalo Sánchez de Lozada.

Os dois são acusados de genocídio na Bolívia pelas mais de 60 mortes produzidas durante os protestos sociais que aconteceram em outubro de 2003, quando Sánchez de Lozada renunciou e depois seguiu para os EUA.

No dia nove de junho, uma multidão protestou violentamente contra a embaixada dos EUA pelo asilo político concedido a Sánchez Berzaín, mobilização que foi elogiada por Morales e provocou o chamado a consultas de Goldberg para Washington.

O representante dos EUA também disse que seu país está disposto a considerar, no âmbito de suas leis, os pedidos de extradição que o Governo apresentará em agosto.

Shannon também se reuniu com os presidentes das Câmaras de Senadores e Deputados, respectivamente o opositor Oscar Ortiz e o governista Edmundo Novillo.

Além disso, confirmou que planeja realizar nas próximas horas uma viagem à região cocaleira de Chapare, apesar da rejeição que os camponeses da região expressaram contra esta visita. EFE ja/fal

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