EUA acusam órgão do Paquistão de ajudar Al-Qaeda, diz ministro paquistanês

O ministro da Defesa do Paquistão, Ahmed Mukhtar, disse nesta quinta-feira que o governo americano acusou a Agência de Inteligência Paquistanesa (ISI, na sigla em inglês) de ajudar militantes ligados à rede extremista Al-Qaeda na fronteira com o Afeganistão. Segundo o ministro paquistanês, os americanos disseram que informações de inteligência compartilhadas com os agentes do ISI estavam sendo vazadas para os militantes, para que pudessem escapar de ataques com mísseis lançados pelos Estados Unidos contra suas bases, em áreas tribais da fronteira.

BBC Brasil |

Em declarações feitas à emissora paquistanesa Geo TV durante uma visita a Washington, o ministro paquistanês afirmou que os americanos "desconfiam" do ISI.

Mukhtar está na capital americana com o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, que faz sua primeira visita aos Estados Unidos.

O ministro disse que o próprio presidente americano, George W. Bush, perguntou quem estava realmente no comando do ISI.

Abalo
Segundo analistas, essas declarações públicas do ministro da Defesa parecem indicar um novo abalo nas relações entre a CIA (a Agência de Inteligência Americana) e o ISI.

Aparentemente, afirmam analistas, a mensagem dada a Islamabad é a de que os paquistaneses precisam fazer mais para combater as ligações entre seus agentes e extremistas islâmicos baseados nas regiões tribais da fronteira com o Afeganistão.

Segundo o analista da BBC Rob Watson, os Estados Unidos já não avisam mais o Paquistão antecipadamente quando lançam operações contra militantes na fronteira.

Há algum tempo circulam acusações de políticos e governos estrangeiros de que membros do ISI apoiariam militantes.

O ISI é o principal braço de inteligência das Forças Armadas do Paquistão. Pela lei, a agência tem de se reportar diretamente ao primeiro-ministro.

No último sábado, o governo paquistanês chegou a afirmar que o ISI passaria para o controle do Ministério do Interior.

No entanto, essa decisão foi revogada poucas horas depois de divulgada, aparentemente devido a uma intervenção das Forças Armadas.

"The New York Times"
Nesta quarta-feira, o jornal americano The New York Times afirmou que um agente do alto escalão da CIA confrontou paquistaneses com provas de ligações entre o ISI e militantes.

A reportagem do jornal também fala do suposto envolvimento do ISI em um ataque com carro-bomba em frente à embaixada da Índia na capital do Afeganistão, Cabul, no qual 58 pessoas morreram.

O Paquistão nega qualquer relação com esse ataque.

Segundo Rob Watson, apesar desse abalo, as relações entre os serviços de inteligência dos dois países não serão rompidas.

Os agentes de segurança americanos afirmam que não podem enfrentar extremistas islâmicos sem a ajuda do Paquistão, e para isso devem necessariamente lidar com o ISI, disse o analista da BBC.

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