EUA aceita reduzir arsenal nuclear, mas não quantidade de ogivas

Moscou, 4 mai (EFE).- Os Estados Unidos, que negociam com a Rússia um novo acordo de desarmamento estratégico, estão dispostos a reduzir seu arsenal nuclear, mas não a quantidade de ogivas armazenadas, afirmou hoje a negociadora americana, Rose Gottemoeller.

EFE |

As instruções dadas pelo presidente dos EUA, Barack Obama, após sua reunião com seu colega russo, Dmitri Medvedev, preveem que "as negociações devem se concentrar nas armas estratégicas ofensivas", disse Gottemoeller, assessora do Departamento de Estado americano, à agência russa "Interfax".

Ao mesmo tempo, a negociadora ressaltou que os EUA não se propõem por enquanto a reduzir as cargas atômicas que já foram desmontadas e armazenadas, como insiste a Rússia.

"Isso representa uma nova fase e um novo enfoque do corte nos armamentos estratégicos. Acho que devemos adiar seu estudo", afirmou a americana em entrevista concedida em Washington.

Durante sua primeira reunião em Londres, no dia 1º de abril, Obama e Medvedev assinaram uma declaração conjunta na qual se comprometeram a iniciar novas negociações de desarmamento.

Seu objetivo será a assinatura de um novo acordo que substitua o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, em inglês), que entrou em vigor em 1994 e que expira em dezembro deste ano.

O futuro acordo buscará uma maior redução do que a estipulada pelo atual Tratado de Moscou sobre Reduções de Armamento Estratégico Ofensivo de 2002.

"Podemos concluir a elaboração do tratado que substituirá o Start e iniciar negociações mais substanciais de desarmamento após 2010.

Mas as reduções grandes deverão esperar o fim da avaliação realizada pelos EUA", especificou Gottemoeller.

A especialista explicou em particular que o novo acordo de desarmamento incluirá medidas de verificação mais detalhadas que as previstas no Start e no Tratado de Moscou.

Além disso, Gottemoeller expressou a disposição de Washington de iniciar negociações com a Rússia no ano que vem sobre a redução dos arsenais táticos, já que o russo é seis vezes maior que o dos EUA.

A Rússia se opõe a incluir um corte de seu arsenal tático no novo tratado de desarmamento, pois considera que os EUA deveriam retirar o seu da Europa e por isso insiste em que as negociações devem contar com a participação das potências nucleares européias, como França e Grã-Bretanha.

O primeiro contato entre Gottemoeller e o negociador russo, Anatoly Antonov, ocorreu no último dia 24 em Roma, onde fecharam acordo para realizar entre os dias 18 e 20 de maio em Moscou a primeira reunião de ambas as delegações de especialistas em desarmamento estratégico. EFE si/bba

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