Para procurador-geral americano, publicação de documentos sobre diplomacia e espionagem representa 'risco para segurança nacional'

O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, informou nesta segunda-feira que o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal sobre o vazamento em massa de documentos diplomáticos pelo site WikiLeaks.

Holder destacou que o governo condena o vazamento de aproximadamente 250 mil correspondências de embaixadas e missões diplomáticas americanas, que "põe em perigo não só indivíduos e diplomatas, mas também a relação que temos com nossos aliados no mundo todo".

Para ele, a publicação dos documentos representa "um risco para a segurança nacional" dos EUA.

A investigação criminal é realizada junto ao Departamento de Defesa para determinar as responsabilidades do vazamento dos documentos. "Não posso ainda antecipar resultados, mas a investigação criminal está em andamento", apontou em discurso à imprensa.

“À medida que acharmos quem está envolvido na violação da lei americana (...) eles serão responsabilizados”, anunciou o procurador-geral.

O anúncio de Holder é feito paralelamente à ordem dada pelo Escritório de Administração e Orçamento a agências do governo para aumentar a segurança em relação a informações sigilosas e encontrar melhores meios de protegâ-las. Para isso, times de revisão e segurança estão sendo montados por especialistas em contrainteligência, segurança e informação.

'Crime'

De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibb, roubar e disseminar informação é "um crime". Em entrevista coletiva, ele assinalou que "é pouco dizer que o presidente Barack Obama não está contente" com a publicação de mais de 250 mil mensagens neste fim de semana. O vazamento, insistiu, representa "uma violação grave da lei e uma ameaça grave para o desenvolvimento de nossa política externa".

No domingo, as publicações The New York Times (EUA), El País (Espanha), Le Monde (França), Die Spiegel (Alemanha) e The Guardian (Reino Unido) publicaram o conteúdo de 250 mil correspondências diplomáticas dos EUA, com informações delicadas, o que causou controvérsias em nível internacional.

As mensagens trocadas entre as embaixadas revelam, entre outras questões, como o Departamento de Estado ordenou que se espionasse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e as dúvidas que outros líderes internacionais despertam ao Governo americano.

*Com AP e EFE

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