EUA abrem caminho para relançar contatos com Rússia ao suspender escudo

Macarena Vidal. Washington, 17 set (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou hoje a decisão de suspender o escudo antimísseis que seu antecessor, George W.

EFE |

Bush, queria construir na Europa.

O cancelamento do projeto, que será substituído por outro com "um novo enfoque", pode abrir caminho para a melhora das relações com a Rússia, que havia se posicionado energicamente contra o escudo.

Por outro lado, o anúncio foi mal recebido pela oposição republicana dos Estados Unidos, que acusa Obama de enfraquecer a defesa do país.

Num breve pronunciamento à imprensa, que não durou três minutos nem abriu espaço para perguntas dos jornalistas, Obama rebateu as críticas dos opositores com a promessa de que o novo sistema, além de mais eficiente e mais econômico, não debilitará a defesa na Europa.

"Nosso novo projeto de defesa antimísseis na Europa disponibilizará defesas mais fortes, mais inteligentes e mais rápidas às forças americanas e a seus aliados" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), declarou o presidente americano.

O Governo anterior havia concebido o escudo antimísseis com o intuito de evitar ataques lançados pelo Irã, mas a Rússia o via como uma ameaça ao seu território.

A decisão anunciada hoje, explicou Obama, foi tomada com base na recomendação "unânime" das autoridades militares dos EUA.

Segundo explicações dadas posteriormente pelo secretário de Defesa, Robert Gates, o cancelamento do projeto foi determinado depois que o Pentágono concluiu que as premissas acerca da capacidade balística do Irã mudaram.

Até agora, era muito valorizada a ameaça representada pelos mísseis de longo alcance iranianos. Mas os serviços secretos americanos constataram que o verdadeiro perigo vinha dos mísseis de curto e médio alcance.

Estes, destacou Gates, "estão se desenvolvendo mais rápido que o previsto".

O sistema proposto pela Administração Obama terá seus interceptores em terra e no mar. Numa primeira fase, baterias antiaéreas serão instaladas em navios Aegis.

O novo projeto prevê ainda a implementação de um sistema de radares móveis mais ágil que o previsto até agora e que permitirá detectar o possível lançamento de mísseis de curto e médio alcance.

Numa segunda fase, mais interceptores seriam posicionados em terra. Especificamente, destacou Gates, os EUA pretendem instalar esses equipamentos na Polônia e na República Tcheca, até 2015.

O escudo antimísseis de Bush, por sua vez, havia jogado um balde de água fria nas relações entre Washington e Moscou, mal-estar que ameaçava se estender à cooperação contra o programa nuclear iraniano.

Gates admitiu que o cancelamento do projeto da era Bush talvez elimine algumas das preocupações russas. Porém, frisou que a medida não é uma concessão a Moscou, e, sim, uma melhor maneira de fazer frente às preocupações despertadas pelo Irã.

Obama também se referiu às críticas russas, ao assegurar que as preocupações de Moscou com os "programas de defesa antimísseis anteriores eram totalmente sem fundamento".

O anúncio do presidente foi feito poucos dias antes da chegada aos EUA do presidente russo, Dmitri Medvedev, que viajará ao país para participar da Assembleia Geral da ONU e da cúpula do G20 em Pittsburgh.

O projeto concebido pela Administração Bush, para o qual já tinham sido assinados acordos bilaterais, previa a instalação de um sistema de radares na República Tcheca e de inúmeros interceptores na Polônia.

No entanto, desde a chegada de Obama ao poder, o novo Governo havia deixado claro seu ceticismo em relação à eficácia do projeto.

O presidente americano notificou o primeiro-ministro tcheco, Jan Fischer, de sua decisão na noite de ontem. Hoje, foi a vez de o chefe de Governo polonês, Donald Tusk, ser avisado.

A Rússia, por sua vez, disse ter ficado satisfeita com a medida, assim como o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, que a descreveu como um "passo positivo".

Nos EUA, entretanto, o senador republicano John McCain, que disputou com Obama as eleições do ano passado, disse que a medida pode "minar a liderança americana no Leste europeu". EFE mv/sc

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