EUA abandonam doutrina da "guerra ao terror"

Nova estratégia norte-americana destaca os perigos do extremismo local e reforça a necessidade de engajamento diplomático

iG São Paulo |

A Casa Branca apresentou nesta quinta-feira sua nova Estratégia de Segurança Nacional, que coloca o conflito armado como último recurso e se distancia assim da doutrina da guerra preventiva e do unilateralismo estabelecido por George W. Bush.

Em seu lugar, a nova estratégia, de 52 páginas ( veja o arquivo em inglês ), enfatiza a colaboração com os países aliados e o fortalecimento das instituições internacionais como ferramentas para resolver os conflitos. "Nosso foco é uma estratégia que amplie nossas fontes de influência no mundo e nos permita usá-las para fazer frente aos desafios do século 21", afirmou o vice-conselheiro nacional de segurança do presidente Barack Obama, Ben Rhodes.

A nova estratégia de segurança nacional do presidente Barack Obama aponta a rede Al-Qaeda como o principal inimigo dos Estados Unidos e não faz mais referência à " guerra contra o terrorismo ", segundo um documento divulgado pela Casa Branca nesta quinta-feira.

"Tentaremos deslegitmar o uso do terrorismo e isolar aqueles que o praticam", afirma o documento. "Não é uma guerra mundial contra uma tática - o terrorismo - ou uma religião - o Islã", completa o texto. "Nós estamos em guerra com uma rede específica, Al-Qaeda, e os terroristas que a apoiam em seus esforços para atacar os Estados Unidos e nossos aliados", conclui o documento.

De acordo com as novas diretrizes, o governo Obama "levará o combate" contra os extremistas "ali onde eles tramam seus planos e treinam, no Afeganistão, Paquistão, Iêmen, Somália e além", indicou na quarta-feira o assessor na luta contra o terrorismo da Casa Branca, John Brennan.

A Estratégia de Segurança Nacional, a primeira do presidente Obama, é um documento que o governo americano emite no começo de cada mandato, por exigência do Congresso, e fixa as prioridades diplomáticas e defensivas do país.

O texto destaca a ameaças que representam os indivíduos radicais que não têm o perfil tradicional dos terroristas, como o jovem nigeriano que tentou explodir um avião em território americano no Natal, ou o pai de família americano de origem paquistanesa suspeito de ter planejado um atentado com carro-bomba em Nova York no último 1º de maio.

"Nossa melhor defesa contra essa ameaça reside em famílias, comunidades locais e instituições bem equipadas e informadas", informou o documento, completando que "o governo vai investir em espionagem".

Segundo Ben Rhodes, o documento apresentado nesta quinta-feira representa "um giro de 180 graus" nas diretrizes de segurança nacional para fazer frente a desafios como o terrorismo internacional e o doméstico, assim como a mudança climática e a proliferação nuclear. "Vamos alimentar a cooperação para resolver os problemas globais com o apoio de nossos aliados", indicou Rhodes, que acrescentou que também se dará a prioridade ao aprofundamento das relações com potências emergentes como China, Índia, Rússia, Brasil e África do Sul.

Economia e diplomacia

A nova doutrina de segurança do governo de Barack Obama determina ainda a necessidade de somar engajamento diplomático e disciplina econômica com poder militar para impulsionar o lugar dos Estados Unidos no mundo.

Em meio a uma economia ainda frágil e déficits recordes, o governo também reconheceu que os Estados Unidos precisam lidar como prioridade nacional de segurança as tarefas de impulsionar o crescimento e colocar a situação fiscal em ordem.

A nova tática considera o bem-estar econômico como um dos pilares para garantir a segurança do país e advoga por uma "nova base" mediante o aumento do uso de energias limpas e a redução do déficit fiscal. Mas também quer promover o bem-estar econômico fora do país, já que é certo que "golpes à economia global podem precipitar o desastre", assinala o documento.

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