Por Ross Colvin PARIS (Reuters) - A visita de Barack Obama à Europa neste fim de semana trouxe à tona as ansiedades de franceses e alemães de que o presidente dos Estados Unidos, popular nos dois países, não goste deles.

Com a França e a Alemanha durante anos mantendo a distância das políticas impopulares do ex-presidente norte-americano George W. Bush, Obama estava aparentemente confuso enquanto tentava garantir que jornalistas franceses e alemães não fizessem, durante uma entrevista coletiva, interpretações sobre a visita rápida de 2 dias e meio.

Mas ele foi entendeu que o menor gesto pode parecer descaso para países ansiosos por sua atenção.

Obama passou menos de um dia na Alemanha, na sexta-feira, onde se reuniu com a chanceler Angela Merkel e visitou o campo de concentração Buchenwald, que seu tio-avô ajudou a libertar durante a Segunda Guerra.

"Grande parte das especulações sobre a minha agenda aqui na Alemanha não leva em conta simples logística, viagens e como ir de um lugar para o outro... Há apenas 24 horas em um dia."

"Então parem com isso, todos vocês", disse Obama, sorrindo, aos jornalistas.

"Eu sei que vocês têm que ter algo para reportar, mas nós temos problemas mais do que suficientes sem que mais sejam produzidos."

O pouco tempo na Alemanha e a decisão de Obama de não ir a Berlim levou a mídia a especular sobre diferenças entre os dois países, mas o presidente dos EUA negou a possibilidade.

As relações entre Washington e Berlim não têm sido tranquilas desde que Obama assumiu o poder em janeiro. Com eleições em setembro, Merkel tem resistido à pressão norte-americana para receber prisioneiros de Guantanamo e para enviar mais tropas ao Afeganistão.

Chegando na França no sábado para as comemorações do aniversário do "Dia D" da Segunda Guerra, Obama mais uma vez ficou na defensiva, após ter tido poucas conversas diplomáticas e de ter feito um almoço de trabalho com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Autoridades francesas expressaram nos bastidores surpresa com o fato de Obama não ter encontrado tempo na agenda para uma recepção oficial no Palácio Elyseé. Obama jantou com sua esposa Michelle em um restaurante perto da torre Eiffel, em vez disso.

"Eu acho que é importante que vocês entendam que bons amigos não se preocupam com simbologias, convenções e protocolos", disse Obama a repórteres com Sarkozy ao seu lado, tentando evitar qualquer mal-entendido.

(Reportagem adicional de David Alexander e Francois Murphy)

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