Etiópia anuncia retirada de suas tropas da Somália

A Etiópia informou nesta sexta-feira à União Africana (UA) que pretende retirar suas tropas da Somália antes do fim do ano, o que deixa as forças de paz africanas no país em situação delicada.

AFP |

Isso porque as tropas da UA não estão preparadas e atualmente se encontram recolhidas em alguns setores da capital somali, Mogadíscio; algumas unidades conjuntas sequer estão operando. Uma retirada rápida deixará a maior parte da Somália sob o controle do grupo islâmico Shebab e seus aliados.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Etiópia, Wahide Belay, indicou que a data limite para a retirada foi anunciada em uma carta, enviada na terça-feira ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ao presidente da Comissão da UA, Jean Ping.

Diplomatas que tiveram acesso ao texto confirmaram que a retirada das tropas etíopes - que contam com aproximadamente 3.000 homens - será concluída até o fim de 2008.

A Etiópia enviou tropas à Somália em 2006, para expulsar a União de Tribunais Islâmicos, grupo radical que conquistou a maior parte do país e começava a estabelecer a Sharia (lei islâmica) de forma muito severa.

Os soldados etíopes deveriam apoiar o governo federal de transição, mas as autoridades - respaldadas pela comunidade internacional - nunca conseguiram se impor no país.

O Shebab, ex-braço militar e juvenil dos tribunais islâmicos, lançou então uma violenta guerrilha contra as tropas do governo somali, apoiadas pelas forças etíopes.

Em 2007, a UA começou a enviar efetivos para a manutenção da paz em Mogadíscio, mas suas tropas não conseguiram reduzir os combates, que este ano já custaram a vida de milhares de civis.

Na quinta-feira, Jean Ping declarou à imprensa que uma retirada prematura das tropas etíopes da Somália poderia ter conseqüências nefastas.

aar/ap

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