Etíope é libertado de Guantánamo após 4 anos de prisão

Um residente da Grã-Bretanha que passou quatro anos preso na prisão americana na baía de Guantánamo, em Cuba, retornou ao país nesta segunda-feira. Binyam Mohamed, um etíope de 30 anos, havia sido preso em 2002 no Paquistão acusado de envolvimento em um plano para detonar uma bomba nos Estados Unidos.

BBC Brasil |

As acusações, no entanto, foram retiradas no ano passado.

O etíope, que permanece sob custódia das autoridades da Grã-Bretanha, disse ter sido torturado para confessar que participou do plano e acusa autoridades do serviço de inteligência doméstica britânico (MI5) de cumplicidade nos abusos que sofreu.

Ele alega que foi enviado secretamente do Paquistão para o Marrocos, onde teria sido torturado, e que de lá teria sido transferido para o Afeganistão e depois para Guantánamo.

A procuradoria-geral da Grã-Bretanha está consultando o diretor da promotoria pública do país para decidir se deve ser aberta uma investigação criminal sobre as alegações de tortura.

A transferência de Binyam de Guantánamo é a primeira a ser autorizada pela administração do presidente americano, Barack Obama.

A ONG jurídica Reprieve, que representa o prisioneiro, disse que ele não oferece riscos à Grã-Bretanha e que espera que o governo conceda sua liberdade "imediatamente".

"Ele apenas quer ir para algum lugar calmo e tentar se recuperar. Cada momento que ele ficar preso reviverá o que sofreu", disse o diretor da Reprieve, Clive Stafford Smith.

O analista da BBC Gordon Corera disse que em ocasiões anteriores, detentos transferidos de Guantánamo para a Grã-Bretanha foram interrogados pela polícia logo que chegaram ao país.

Mohamed vivia na Grã-Bretanha desde os 15 anos de idade até ser preso.

No início deste ano ele fez uma greve de fome de um mês na prisão e seus advogados afirmaram que ele chegou "perto da inanição".

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