Etíope detido 4 anos em Guantánamo volta a Londres

Londres, 23 fev (EFE).- O etíope Binyam Mohammed, com status de refugiado no Reino Unido, deixará a base dos Estados Unidos em Guantánamo (Cuba), onde ficou detido por quatro anos, rumo a Londres, informou hoje sua irmã, Zuhra.

EFE |

Uma vez na capital britânica, Mohammed será recebido por um médico, seus advogados, família e amigos. A organização de ajuda legal Reprieve fez intensa campanha para conseguir sua libertação, a primeira desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tomou posse.

O diretor da Reprieve, Clive Stafford Smith, espera que o Governo britânico permita a libertação imediata de Mohammed.

"Ele é uma vítima que sofreu mais que nenhum outro ser humano deveria sofrer. Ele quer ir para um lugar tranquilo e tentar se recuperar", comentou.

Semana passada, os Governos britânico e americano chegaram a um acordo para a transferência de detido, de 30 anos. Ele era o último preso com direito a solicitar seu retorno à Grã-Bretanha.

Em 11 de fevereiro, ele encerrou uma greve de fome iniciada em 5 de janeiro para condenar sua situação após receber a visita de um grupo de funcionários e médicos britânicos que negociavam sua libertação.

O ministro de Assuntos Exteriores, David Miliband, explicou recentemente que os EUA tinham aceitado dar prioridade ao expediente do jovem, cujo caso trouxe grande polêmica pela descoberta de que ele foi vítima de reiteradas torturas.

O chanceler disse então que revelar o conteúdo desses documentos contra o desejo das autoridades americanas poderia causar um dano "real e significativo" à segurança nacional.

Os documentos detalhavam o tratamento dado por parte dos EUA ao preso, que acusou ainda os serviços secretos britânicos de serem cúmplices da tortura.

Mohammed chegou ao Reino Unido em 1994 como refugiado e trabalhou como zelador em Londres até 2001, quando viajou ao Afeganistão e Paquistão para, segundo seus advogados, superar sua dependência às drogas.

O etíope foi detido em 2002 no Paquistão e, segundo suas palavras, foi levado pela CIA dos EUA a uma prisão do Marrocos, onde garante que passou 18 meses. Em 2004, Mohammed se transferiu ao Afeganistão, país do qual viajou a Guantánamo.

Em declaração divulgada hoje, Mohammed disse que as pessoas que o torturaram recebiam as perguntas de agentes secretos britânicos.

"Devo dizer, mais por tristeza que por irritação, que muitos foram cúmplices dos meus horrores durante os últimos sete anos. Para mim, o pior dos momentos foi no Marrocos, quando me dei conta de que as pessoas que me torturavam recebiam perguntas e material da inteligência britânica", comentou.

Ele admitiu que não busca vingança, mas afirma que a verdade será exposta para que ninguém tenha que sofrer da mesma forma. O etíope disse não ter condições físicas ou mentais de falar à imprensa quando chegar a Londres.

"Tive uma experiência que nunca pensei que poderia chegar a ter nem em meus pesadelos mais obscuros. É difícil ainda para mim crer que fui sequestrado, levado de um país a outro, e torturado de forma medieval, tudo orquestrado pelo Governo dos Estados Unidos", afirmou. EFE vg/dp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG