Madri, 9 fev (EFE).- Oito horas após a Corte Suprema espanhola anular as listas eleitorais de dois partidos bascos ao considerá-los vinculadas à ETA, a organização terrorista cometeu hoje um atentado com um carro-bomba em Madri, que não deixou feridos, porque o explosivo falhou, mas causou danos materiais.

A explosão aconteceu às 9h locais (6h de Brasília), no Campo de las Naciones, que reúne diversos centros de exposições um grande número de escritórios, alguns dos quais precisaram ser esvaziados e nos quais se viveram momentos de pânico.

A explosão do carro-bomba de hoje é o primeiro atentado que a ETA comete em Madri desde 30 de dezembro de 2006 no Terminal Quatro (T-4) do aeroporto de Barajas, no qual morreram dois imigrantes equatorianos e que foi a ruptura do cessar-fogo que a organização declarara meses antes.

O de hoje aconteceu após a Corte Suprema espanhola anular por unanimidade as candidaturas do partido Askatasuna e da recém criada plataforma Demokrazia 3 Milioi (D3M), ao considerá-los herdeiros do Batasuna, ilegalizado por vinculação à ETA em 17 de abril de 2003.

Na Espanha, desde 2002, vigora a Lei de Partidos que permite a proibição dos que amparam ou apoiam o terrorismo.

O ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou após o atentado que, ao cometê-lo, a ETA confirma o acerto na decisão da Suprema Corte.

Faltando uma última sentença, do Tribunal Constitucional, a anulação das candidaturas desses dois partidos evitará que a esquerda separatista basca, aparelhada pela ETA, concorra a eleições no País Basco.

Essa comunidade autônoma do norte da Espanha, de pouco mais de 2 milhões de habitantes, terá eleições regionais em 1º de março.

Na última legislatura, a esquerda separatista ganhou nove das 75 cadeiras do Parlamento regional basco.

Não por acaso, a organização terrorista colocou o carro-bomba em frente ao edifício da companhia construtora Ferrovial-Agromán, que constrói com outras empresas a ferrovia do Trem de Alta velocidade (AVE) através do País Basco.

Esse trem AVE unirá as principais cidades bascas com o resto da Espanha e com a França.

As obras para seu traçado foram atacadas em várias ocasiões pela ETA, que, em 3 de dezembro, assassinou a tiros o empresário basco Ignacio Uria, cuja empresa é uma das construtoras da via de Alta Velocidade.

A organização terrorista ETA surgiu há mais de 40 anos no País Basco e nessas quatro décadas de atividade assassinou mais de 850 pessoas.

No atentado de hoje, ela avisou no começo da manhã da colocação da caminhonete-bomba.

Três telefonemas em nome da ETA foram recebidas nos centros de controle da Cruz Vermelha, dos serviços de emergência (Samur) e na central dos bombeiros da comunidade Autônoma de Madri.

A explosão causou uma cratera de três metros de diâmetro por um metro de profundidade no chão, além de danos materiais em pelo menos 30 veículos estacionados no local, em uma ponte e na estrutura exterior de um edifício.

Apesar dos destroços, policiais informaram à Efe que a carga só explodiu parcialmente, já que uma parte da mesma se queimou e não aumentou o efeito devastador esperado pelos terroristas.

O veículo com a bomba foi estacionada no recinto feira de Madri, em uma área denominada Campo de las Naciones, onde costumam celebrar-se grandes feiras internacionais.

A próxima, dedicada ao mundo da arte (Arco), será inaugurada nesta quarta-feira pelo Rei Juan Carlos I e espera receber milhares de pessoas. EFE nac/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.