ETA pratica 2º atentado na semana e completa 50 anos de criação amanhã

Calviá (Espanha), 30 jul (EFE).- Dois agentes da Guarda Civil espanhola morreram hoje na turística ilha de Mallorca, em um atentado atribuído à ETA, 24 horas depois de uma explosão em Burgos, no norte da Espanha, pela qual o grupo também foi responsabilizado, e há apenas um dia de completar 50 anos de criação.

EFE |

Os agentes foram atingidos pela explosão de uma bomba em seu carro de patrulha, que foi colocada embaixo do veículo e acionada a distância, nas imediações do quartel da Guarda Civil na localidade de Palmanova, no município de Calvía, próximo a Palma de Mallorca.

Segundo o delegado do Governo nas Ilhas Baleares, Ramón Socías, as vítimas, que estavam à paisana e faziam trabalhos de manutenção, estacionaram o veículo nas proximidades e, após entrar no quartel, voltaram para o carro que explodiu quando tentavam ligá-lo novamente.

Apenas uma hora depois do atentado, que aconteceu pouco antes das 14h (9h, no horário de Brasília), as autoridades iniciaram a "Operação Jaula" e ordenaram o fechamento do aeroporto e do porto de Palma de Mallorca, para evitar que os terroristas pudessem abandonar a ilha mediterrânea, um dos principais destinos turísticos da Espanha, que todo ano recebe dezenas de milhares de visitantes de toda a Europa.

Palma de Mallorca é também o lugar eleito pela família real espanhola para passar suas férias de verão, habitualmente no mês de agosto, no Palácio de Marivent.

O aeroporto maiorquino, que foi reaberto às 17h50, é o terceiro mais importante da Espanha, e só fica atrás dos de Madri-Barajas e o El Prat de Barcelona, tanto em número de operações (193.379 ao ano 2008), quanto de passageiros (quase 23 milhões por ano).

Os dois agentes assassinados eram jovens e trabalhavam a aproximadamente um ano na Guarda Civil, um corpo policial de caráter militar, objetivo prioritário da ETA que, em seu meio século de história, assassinou 206 de seus membros.

O atentado de hoje aconteceu 24 horas depois que o grupo terrorista, que completa 50 anos amanhã, tentasse perpetuar um massacre com a explosão de uma caminhonete carregada com mais de 200 quilos de explosivo em frente ao quartel da Guarda Civil em Burgos, no norte da Espanha.

Mais de 60 pessoas sofreram ferimentos leves por causa do atentado que causou grandes danos materiais.

O atentado de hoje, o primeiro em Mallorca com vítimas fatais, é o 9º da ETA este ano e sobe para três o número de vítimas mortais em 2009, após o assassinato no dia 19 de junho, também com uma bomba, do inspetor de policial Eduardo Puelles, na cidade basca de Arrigoriaga.

Em seus 40 anos de atividade violenta (o primeiro assassinato atribuído ao grupo data de 1968), a organização terrorista criada no dia 31 de julho de 1959, já matou quase mil pessoas em sua luta pela independência do País Basco.

Nos últimos meses, sofreu importantes conflitos policiais na França, onde os membros com menos poder habitualmente se escondem, e na Espanha, com a detenção de vários de seus principais dirigentes.

O Governo anunciou que o chefe do Executivo, José Luis Rodríguez Zapatero, irá para Palma de Mallorca para participar do velório dos falecidos.

O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, também irá para a ilha para supervisionar os trabalhos de investigação do atentado, assim como a ministra da Defesa, Carme Chacón.

O atentado foi unanimemente condenado pelo Executivo e pelos partidos de oposição na Espanha, além de diversas instituições e Governos de todo o mundo. EFE nac/pd

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