ETA planejava série de atentados em áreas turísticas da Andaluzia

Madri - O grupo terrorista ETA planejava para agosto uma campanha de atentados contra hotéis, shoppings e áreas de lazer da Andaluzia, segundo declarações dos membros do Comando Vizcaya, grupo desarticulado esta semana e que teve sete membros presos hoje.

EFE |

Além disso, o grupo, que luta pela independência do País Basco tinha entre seus alvos um juiz da Audiência Nacional - o tribunal que julga os crimes de terrorismo -, um senador do opositor Partido Popular (PP), a Polícia autônoma basca e sedes de dois partidos.

Esta informação consta no auto judicial do juiz da Audiência Nacional Baltasar Garzón emitido após ele decretar a prisão de sete dos dez detidos na operação contra o Comando Vizcaya.

O grupo, o mais ativo desde o final do cessar-fogo do grupo terrorista há pouco mais de um ano, foi desarticulado na última terça, permitindo que fossem encontrados vários esconderijos nos quais tinham armazenados explosivos para cometer atentados, armas e tranqüilizantes para um eventual seqüestro.

Segundo o auto judicial, o líder do grupo, Arkaitz Goikoetxea, recebia ordens diretas do chefe militar da ETA, Garikoitz Aspiazu, o "Txeroki".

Em junho "Txeroki" ordenou a Goikoetxea e a Asier Borrero, membro da ETA que está foragido, que preparassem uma campanha de atentados contra centros turísticos da região da Andaluzia, no sul da Espanha, destino de milhares de espanhóis e visitantes estrangeiros durante as férias.

Para isto, já estava programada para o dia 15 de agosto uma reunião em Granada para a transmissão das instruções.

A direção da ETA também lhes ordenou que acompanhassem e levantassem informações sobre Ramón Rabanera - um político do (PP) na província basca de Álava -, empresas relacionadas ao Trem de Alta Velocidade e sobre o quartel da Guarda Civil de Burgos.

O auto do juiz Garzón detalha também os planos de seqüestro e assassinato do vereador do Partido Socialista no País Basco (PSOE) Benjamín Atutxa, que foi vigiado entre outubro de 2007 e abril de 2008 por Olga Comes, presa na França na última quinta.

Seria uma ação similar à cometida pela ETA em julho de 1997 quando seqüestrou e assassinou o jovem vereador do PP Miguel Ángel Blanco após fixar um ultimato, ação que comoveu profundamente a sociedade espanhola que se mobilizou para impedir sua morte e depois para condená-la.

Segundo algumas fontes, o seqüestro de Benjamín Atutxa foi frustrado porque ele contou com a proteção de uma escolta por ser vereador.

Em março, dois dias antes das eleições gerais na Espanha, a ETA assassinou a tiros o ex-vereador socialista Isaias Carrasco, que ao não ter mais o cargo não dispunha de escolta.

Entre os planos do comando desarticulado estava também um atentado frustrado contra o juiz da Audiência Nacional Fernando Grande-Marlaska.

O auto judicial detalha que a ETA planejava usar uma bomba acionada por cabo.

"Txeroki" ordenou a Goikoetxea e a Martitegi que cometessem o atentado na localidade de Ezcaray, em La Rioja, local de descanso do juiz, que acabou não ocorrendo pelo fato de o magistrado não ter retornado à região.

Diversos políticos, sobretudo do País Basco, têm residências em Ezcaray, onde o comando também possuía um esconderijo.

A liderança da ETA também encarregou este grupo de estudar a possibilidade de estabelecer uma infra-estrutura estável em Portugal.

Em sua mensagem, Garzón explica que o Comando Vizcaya se formou em fevereiro de 2007 por ordem de "Txeroki".

No princípio era formado por Goikoetxea e Martitegi, aos quais se uniu em abril Olga Comes, detida na França na última sexta junto com Asier Eceiza.

Após a operação iniciada na última terça, pelo menos três membros do Comando Vizcaya continuam foragidos.

Além de Jurdan Martitegi, número dois do comando, são procurados Asier Borrero, responsável pela campanha de atentados na Andaluzia, e Aitor Artetxe, que participou de dois atentados com carro-bomba.

Em 40 anos de atividade a ETA assassinou mais de 850 pessoas.

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