ETA ataca emissora basca no final de um ano em que sofreu duros golpes

BILBAO - A organização terrorista ETA realizou um ataque em Bilbao contra a sede da emissora basca EITB no último dia de um ano no qual as forças de segurança espanholas aplicaram golpes duros na organização.

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Bomba explodiu na sede da emissora basca EiTB

Bomba explodiu na sede da emissora basca EiTB

O atentado, perpetrado com uma caminhonete-bomba carregada com cerca de 100 kg de explosivo, causou danos consideráveis à sede da "EITB", mas não deixou feridos, pois o edifício e suas proximidades tinham sido desocupadas após uma ligação da ETA na qual anunciava a iminência da explosão.

A sede da "EITB" abriga também as redações de outros veículos de comunicação, como a emissora "Antena 3", o jornal "El Mundo" e a rádio "Onda Cero".

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, condenou o atentado e afirmou que "a imprensa livre é a essência da democracia".

Em sua condenação ao ataque, Zapatero disse que a "ETA poderá atacar, mas vai perder todas as batalhas", e acrescentou que "a única coisa que os que atacam ou os que promovem atentados vão conseguir é que cada vez estejam mais cedo na prisão, que é onde devem estar. Este é - acrescentou - o compromisso do governo".

O atentado desta quarta-feira é o segundo que a ETA realiza nas últimas horas do ano, após o do dia 30 de dezembro de 2006, quando explodiu uma bomba no aeroporto madrilenho de Barajas deixando dois mortos e grande destruição.

Da mesma forma que o governo, as autoridades bascas, os principais partidos políticos e diversas organizações jornalísticas condenaram o atentado.

O presidente do governo regional basco (lehendakari), Juan José Ibarretxe, disse que "atentar contra a 'EITB' e contra qualquer dos filhos da sociedade basca é atentar contra o povo basco".

Mariano Rajoy, o presidente do Partido Popular (PP), o principal da oposição, condenou o atentado e expressou seu convencimento de que "com a unidade dos democratas a sociedade espanhola derrotará a ETA".

O governante Partido Socialista (PSOE) divulgou um comunicado no qual expressa sua "enérgica condenação" e assegura que "com cada ataque, seja qual for seu objetivo, a ETA volta a atacar todos os cidadãos".

Também tiveram vozes de condenação o porta-voz da coalizão Convergência e União (CiU) no Congresso dos Deputados, Josep A. Duran i Lleida, e a deputada da União Progresso e Democracia (UPyD), Rosa Díez.

No País Basco, a patronal Confebask reiterou em uma nota de imprensa a exigência de "toda a sociedade basca" de que a ETA desapareça.

Com o atentado de 30 de dezembro de 2006, a ETA encerrou alguns meses de trégua, que mantinha desde março de 2006, e acabou com o processo de diálogo autorizado pelo presidente do governo.

No último dia 26, o presidente Zapatero se referiu a outras duas tentativas - durante os Governos de Felipe González e de José María Aznar - e afirmou que não haverá mais oportunidades para que a ETA tenha um final através do dialogo.

"A democracia deu três oportunidades para a ETA e a ETA desperdiçou as três. Já não haverá mais", declarou Zapatero em entrevista coletiva na qual fazia um balanço de 2008.

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