ETA assume dez atentados e avisa que continuará a luta armada

A organização separatista armada basca ETA assumiu nesta quarta-feira em comunicado dez atentados, entre eles o que custou a vida a um militar espanhol, e assegurou que continuará a luta armada.

AFP |

"A resistência continuará até que os direitos de Euskal Herria (País Basco) sejam reconhecidos e respeitados", afirma nota enviada ao jornal separatista Gara, canal habitual de comunicação da ETA.

A organização armada reitera que a solução para o conflito basco passa pela "construção de uma base democrática voltada para a autodeterminação"; e reivindicou dez atentados, entre eles, o ataque com carro-bomba a uma residência militar em Santoña (Cantabria, norte), que causou a morte do oficial do Exército espanhol, Luis Conde, no passado 22 de setembro.

Também assumiu a responsabilidade por um carro-bomba colocado no campus da Universidade de Navarra (norte) que causou 17 feridos na quinta-feira passada, assegurando que "atacou e continuará atacando" este centro porque o Opus Dei, ao qual pertence essa universidade privada, "não é mais que uma máquina para formar novos quadros franquistas".

Na lista também figura um ataque contra uma delegacia da polícia basca em Ondarroa (País Basco, norte) no passado 21 de setembro, no qual 10 pessoas ficaram feridas.

A ETA deu por concluído formalmente o último processo de diálogo com o Governo espanhol em junho de 2007, depois de iniciado em março de 2006 um cessar-fogo permanente, rompido de fato no dia 30 de dezembro de 2006 quando fez explodir um carro-bomba no aeroporto de Madri que causou a morte de dois equatorianos.

Desde então, o governo Zapatero reiterou em várias ocasiões que não haverá mais negociações com a organização, ao mesmo tempo em que recrudesceu a ofensiva judicial e policial contra a organização armada.

A organização separatista basca ETA mantém há 40 anos uma guerra contra o Estado espanhol pela independência do País Basco (norte) - o Euskal Herria, que vai de Adour a Ebro, e que inclui a região autônoma espanhola do País Basco, Navarra, e o País Basco francês, no sudoeste vizinho.

As ações terroristas da organização separatista basca provocaram a morte de 824 pessoas, civis e militares, desde 1968, segundo uma contagem do ministério do Interior espanhol. Desde então, a ETA perdeu cerca de 200 ativistas, segundo fontes nacionalistas radicais.

Mais de 90% das vítimas da ETA foram assassinadas após a morte do ditador Francisco Franco em 1975 e desde o restabelecimento da democracia na Espanha.

A União Européia (UE) incluiu a ETA na lista européia de organizações terroristas em dezembro de 2001.

Seus objetivos foram defendidos no plano político pela coligação radical Batasuna, antes denominada Herri Batasuna (HB) e Euskal Heritarrok (EH), que em diversas eleições conseguiu entre 12% e 18% dos votos do eleitorado Basco.

O Batasuna, considerado braço político da ETA foi declarado ilegal em março de 2003 pelo Tribunal Supremo espanhol, por considerar que pertence ao grupo separatista e em seguida foi incluído na lista de organizações terroristas da UE e do departamento de Estado americano.

A ETA (Euskadi Ta Askatasuna, que quer dizer, Pátria Basca e Liberdade), cujo símbolo é uma tocha com uma serpente enlaçada, foi fundada em 31 de julho de 1959 por estudantes nacionalistas contra o "imobilismo" diante do franquismo do Partido Nacionalista Basco (PNV, democratas-cristãos), no poder no País Basco desde 1980.

Este movimento nacionalista foi criado no fim do século XIX com base numa ideologia étnica, antiespanhola e ultracatólica de seu fundador Sabino Arana, que contou com a adesão do marxismo-leninismo dos fundadores da ETA.

A polícia e o Exército foram se tornando aos poucos os alvos preferidos da ETA, cujos métodos incluem especialmente os carros-bomba, a violência urbana e o assassinato de vítimas selecionadas.

Em duas ocasiões, as esperanças de um fim da violência -em 1989 e em 1998- desapareceram.

A ETA retomou suas ações terroristas no início de 2000 depois de uma trégua de 14 meses.

O diálogo com a ETA, iniciado pelo governo espanhol e interrompido depois do atentado de 30 de dezembro de 2006 no aeroporto de Barajas no qual morreram dois equatorianos, foi a terceira tentativa de negociação.

A primeira foi protagonizada pelo governo socialista de Felipe González em 1989 e, a segunda, pelo governo conservador de José María Aznar em 1999.

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