ETA anuncia cessar-fogo permanente na Espanha

Governo espanhol considera 'insuficiente' anúncio de grupo separatista basco

iG São Paulo |

O grupo separatista basco ETA anunciou nesta segunda-feira um cessar-fogo "permanente, geral e verificável", em um comunicado enviado ao jornal "Gara", habitual canal de comunicação da organização. O grupo, porém, não informou seu concordará em entregar suas armas, uma das principais exigências do governo espanhol.

"O ETA decidiu declarar um cessar-fogo permanente e de caráter geral, que poderá ser verificado pela comunidade internacional", diz o comunicado. "Este é o compromisso firme do ETA com um processo de solução definitivo e com o final do confronto armado", acrescenta a nota publicada em inglês, espanhol e euskera.

AFP
Imagem de vídeo mostra supostos integrantes do grupo separatista basco ETA anunciando cessa-fogo permanente

A nota foi lida por um suposto integrante do grupo em um vídeo enviado ao jornal, no qual três homens encapuzados são vistos sentados em frente a uma bandeira do ETA. O comunicado pede aos governos de Espanha e França que "respeitem a vontade do povo basco" e incitam as autoridades espanholas a promover diálogos e um referendo sobre soberania à região basca.

No vídeo, o suposto membro do grupo separatista diz ainda que "o direito à autodeterminação é a base de um conflito secular" e que a organização ouviu vários pedidos de "agentes da sociedade basca e da comunidade internacional para chegar a um diálogo" e decidiu atender a estes pedidos "porque é tempo de agir".

Ao final da mensagem, os três encapuzados erguem os braços, repetindo o slogan do ETA: "Vamos, Pátria Basca e Liberdade".

'Insuficiente'

O vice-presidente e ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, classificou o anúncio de "insuficiente". Para ele, o comunicado mostra que o grupo mantém "as mesmas pretensões de sempre".

Em setembro de 2010, o ETA havia assegurado que não realizaria "ações armadas ofensivas", sem especificar por quanto tempo duraria o cessar-fogo. Na época, o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, declarou que a única decisão do ETA que seria considerada válida seria o "abandono das armas". "Já não valem comunicados, valem apenas decisões e só uma decisão vale, em poucas palavras: o abandono das armas para sempre", afirmou.

O último atentado de autoria do ETA foi há 17 meses. Responsável pela morte de 829 pessoas em mais de 40 anos de violência em sua luta pela independência do País Basco, o ETA é pressionado por seu braço político, o Batasuna, para que anuncie um cessar-fogo.

Na ilegalidade desde 2003, o Batasuna acredita que um cessar-fogo verificável internacionalmente o ajudará a voltar à legalidade e poder participar nas eleições locais deste ano.

Com AFP e BBC

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