Estudo sugere nova rota de êxodo de espécie humana da África

Pesquisadores ingleses afirmam ter identificado uma nova rota percorrida pelos humanos modernos quando saíram da África para colonizar o resto do mundo. Até agora, estudos indicavam que o vale do Nilo havia sido a principal rota de saída usada pelos primeiros humanos modernos para deixar o continente africano.

BBC Brasil |

Já a nova pesquisa, publicada na edição desta semana da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere uma rota que atravessava o Saara e chegava a onde hoje se localiza a Líbia.

Segundo os pesquisadores, a presença de um "corredor úmido" através da Líbia poderia ter possibilitado que os primeiros humanos modernos cruzassem o deserto do Saara, que na época, assim como hoje, cobria grande parte do território africano e teria representado um grande obstáculo para o êxodo dos humanos.

Nilo
Os cientistas acreditam que os humanos modernos surgiram na região da África subsaariana há cerca de 150 e 200 mil anos.

Acreditava-se que quando as populações começaram a crescer e se espalhar, elas teriam subido o vale do Nilo, já que o rio oferecia água e comida necessárias para a viagem, até o Mediterrâneo.

Mas na nova pesquisa, especialistas das universidades de Bristol, Southampton, Oxford, Hull e Trípoli, na Líbia, usaram imagens de radar feitas por satélite e identificaram fósseis de antigos leitos de rios cruzando o Saara na Líbia, seguindo ao norte da região central do Saara até a costa do Mediterrâneo.

Depois de uma análise geoquímica, os pesquisadores afirmam que os leitos eram ativos durante o último período interglacial, e que havia cursos de água vitais no que pode ter sido uma região árida.

Dados anteriores já haviam mostrado que houve intensas chuvas na região sul do Saara há 130 e 170 mil anos, num intervalo entre as eras do Gelo conhecido como o último período interglacial.

Essas chuvas teriam contribuído para prover os rios que cruzavam o Saara, oferecendo um caminho alternativo ao corredor do Nilo.

Os pesquisadores analisaram diferentes elementos químicos presentes em conchas de lesmas em duas áreas nos fósseis dos leitos dos rios e também conchas de microfósseis plantônicos no mar Mediterrâneo.

Apesar de estarem a centenas de quilômetros das rochas vulcânicas do Saara, os testes feitos pelos cientistas revelaram uma espécie de característica vulcânica nas duas conchas e que era bem diferente das rochas encontradas em regiões próximas.

Os pesquisadores concluíram que a água que corria das montanhas vulcânicas na região central do Saara poderia ser a única fonte dessa característica vulcânica encontrada nas conchas.

"É possível que tenha sido uma rota usada pelos humanos", disse Anne Osborne, principal autora do estudo, à BBC.

"Homo Sapiens"
Apesar de não estar claro que rota seguiu, o Homo Sapiens deixou a África há cerca de 100 mil anos - esqueletos foram encontrados nos sítios arqueológicos de Es Skhul e Qafzeh, em Israel.

No entanto, essa parece ter sido uma incursão precoce e fracassada dos humanos modernos para fora África.

Há cerca de 75 mil anos, os neandertais substituíram o Homo Sapiens na região. Mas, há aproximadamente 45 mil anos, a espécie reocupou a área.

Análises genéticas sugerem que as populações que hoje moram fora da África são descendentes de uma migração que se originou no leste do continente há cerca de 60 ou 70 mil anos.

É provável que alguns desses pioneiros tivessem atravessado o mar Vermelho no estreito de Bab-el-Mandeb, o que os levou do Chifre da África até a Península Arábica.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG