Estudo revela como esporos das células se comunicam

Alicia Moreno. Redação Central, 30 out (EFE).- Os esporos das bactérias podem detectar se seus companheiros despertaram e continuar seus passos, segundo um estudo publicado hoje pela revista Cell.

EFE |

O relatório revela como se dá esta comunicação, um descobrimento que, segundo os autores, abre portas para a fabricação de novos antibióticos.

Quando as condições ficam adversas, muitas bactérias constroem em seu interior uma espécie de "bunker" onde guardam o material mais importante. Seu metabolismo se "apaga", e com isso elas podem enfrentar qualquer tipo de ambiente hostil.

Esses esporos são formados no interior da bactéria e suportam radiação, falta de água, temperaturas extremas e inclusive os agentes antimicrobianos.

E só saem desse estado de latência se as condições melhoram.

Então, são reativados e germinam. Uma vez fora do refúgio, as bactérias voltam a ser vulneráveis.

Os pesquisadores descobriram que, quando há bactérias se multiplicando junto aos esporos, os fragmentos de um dos componentes da parede bacteriana que se desprendem servem de sinal para os esporos.

Eles então recebem a mensagem graças a um receptor em sua superfície, que o transmitirá ao seu interior para que se inicie a germinação.

A equipe do doutor Jonathan Dworkin da Universidade de Colúmbia, em Nova York (Estados Unidos) conseguiu, além disso, controlar a germinação dos esporos com diferentes compostos químicos, com os quais é possível ativar ou bloquear esse receptor.

Para as bactérias, a latência "é um estado fantástico", afirma Dworkin, porque assim não ficam "vulneráveis aos antibióticos". Mas, se fosse possível mantê-las nesse estado latente indefinidamente "seria essencialmente igual a matá-las".

Além disso, Dworkin disse à Agência Efe que, como também se procede com os esporos sensíveis a antibióticos induzindo sua germinação, seria possível acabar com as bactérias como se faz normalmente, com calor.

Os esporos são um problema na indústria alimentícia e também nos hospitais, porque muitas bactérias patógenas são capazes de formá-los.

Entre elas, estão o bacilo da tuberculose, os estafilococos, fonte comum de intoxicação alimentícia; a "Clostridium difficile", que pode provocar graves transtornos gastrointestinais; e a "Bacillus anthracis", causadora do carbúnculo.

Os autores explicam que o mecanismo é similar ao que as células animais do sistema imunológico utilizam para reconhecer os possíveis invasores. EFE amc/ab/plc

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