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Estudo revela como ameba dribla sistema imunológico

Cientistas dos Estados Unidos acreditam ter descoberto o mecanismo que permite que as amebas que causam disenteria driblem o sistema imunológico dos seres humanos. Em um artigo na publicação científica Genes and Development, os pesquisadores, das universidades Johns Hopkins e Stanford, disseram que a ameba Entamoeba histolytica possui uma enzima capaz de eliminar de sua superfície proteínas que, quando presentes, alertam o corpo humano para a presença de organismos potencialmente perigosos.

BBC Brasil |

"Esta é a primeira enzima a ser identificada que pode estar envolvida na evasão do sistema imunológico", disse Sin Urban, da Johns Hopkins University.

Segundo os pesquisadores, a descoberta pode abrir caminho para vacinas contra disenteria e também para tratamentos contra a malária - já que a enzima identificada seria bastante semelhante a uma outra, do mesmo grupo, encontrada no protozoário responsável pela malária.

Lectina
Acredita-se que, todos os anos, milhões de pessoas no mundo inteiro sejam infectadas pela ameba que provoca a disenteria.

Na maioria dos casos, quando não há sintomas, o sistema imunológico acaba se livrando do parasita, mas a infecção pode persistir durante muito tempo.

Estudos anteriores sobre o protozoário causador da malária revelaram que o parasita, do gênero Plasmodium, usa uma enzima de um tipo específico para entrar na célula hospedeira.

Os especialistas americanos identificaram na Entamoeba histolytica a presença de uma outra enzima do mesmo tipo da usada pelo protozoário da malária. A enzima da ameba foi batizada de EhROM1.

Toda célula possui em sua superfície proteínas que são reconhecidas pelos "sentinelas" do sistema imunológico humano. No caso da ameba da disenteria, os pesquisadores identificaram uma proteína conhecida como lectina.

Eles verificaram que a enzima EhROM1 transfere a lectina para outra parte da célula e depois a lança para fora da estrutura.

Vacina
A equipe americana acredita que, por causa das semelhanças entre a EhROM1 e a enzima encontrada nos parasitas causadores da malária, drogas que atuem sobre a EhROM1 talvez sejam capazes de tratar a outra doença.

O especialista britânico Graham Clark, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, disse que a disenteria amebiana, uma vez diagnosticada, é tratável.

Mas explicou que freqüentemente é difícil identificar a presença do parasita.

"Em teoria, esta idéia pode ajudar as pessoas que estão tentando desenvolver uma vacina", concluiu.

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