Estudo revela as oscilações genéticas no cérebro de um suicida

Redação Internacional, 24 out (EFE).- Pesquisadores de universidades canadenses e húngaras descobriram que no cérebro dos suicidas o sistema que regula a produção do receptor para o neurotransmissor Gaba se encontra alterado.

EFE |

Antes já se sabia que nos pacientes que sofrem um transtorno depressivo maior e mostram tendências suicidas na produção desse receptor - o de tipo A - se encontrava reduzida. O estudo, publicado hoje pela revista "Biological Psychiatry", explica como se produz esse déficit.

Cada vez está mais claro que, também na doença psiquiátrica, os genes não são os únicos que têm a palavra. De acordo com o estudo, os genes "falam" ou "se calam" segundo as circunstâncias.

Os pesquisadores analisaram e compararam o tecido de várias partes do cérebro de pessoas que, sofrendo um transtorno de depressão maior, tinham se suicidado, com o de pessoas mortas por outras razões.

O que descobriram é que nos primeiros, o DNA nesses tecidos estava quase dez vezes mais metilado que nos segundos.

A metilação é uma modificação química do DNA que pode fazer "calar" os genes sem que sua seqüência mude, e que freqüentemente se produz como conseqüência da exposição a algum fator meio ambiental.

A metilação e outras remodelações do DNA, todas elas reversíveis, compõem outro modo de regular os genes que os especialistas conhecem como epigenética.

Trata-se de "uma nova prova de que os fatores genéticos e ambientais podem se relacionar para modificar, especificamente e de um modo durável, os circuitos cerebrais", afirma o médico John H.

Kristal, editor da "Biological Psychiatry".

Algumas remodelações, segundo ele, "podem moldar o curso de nossas vidas de uma maneira extremamente importante". Tanto, que também podem aumentar o risco de um transtorno depressivo maior e levar, talvez, ao suicídio. EFE amc/rr

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