Estudo relaciona genes e contexto social com violência entre homens

Washington, 14 jul (EFE) - Cientistas americanos detectaram três genes que, aliados com o contexto social (família e amigos), desencadeariam a violência entre jovens homens, revelou um estudo divulgado hoje pela revista American Sociological Association. O grupo de cientistas da Universidade da Carolina do Norte afirmou que esses genes são o 2R, uma variação do gene MAOA, o transportador de dopamina (DAT1) e o receptor de dopamina (DRD2). As mutações desses genes apareceram, sobretudo, em crianças que passavam por situações sociais como repetência escolar ou mesmo não fazer refeições diárias com um dos dois pais, por exemplo. A pesquisa utilizou dados fornecidos pelo estudo Longitudinal e Nacional da Saúde de Adolescentes, que incluiu cerca de 1.100 jovens homens que responderam a perguntas pessoais e deram amostras de sangue.

EFE |

Os cientistas definiram como violência lesões que precisaram de tratamento médico, o uso de algum tipo de armas para roubar, participação em brigas entre grupos, atirar ou apunhalar alguém, dano deliberado de propriedade alheia e ameaças com algum tipo de arma.

Os três genes estiveram vinculados com as explosões de violência, mas principalmente em jovens que sofreram algum tipo de pressão, sobretudo problemas familiares, rejeição ou mau rendimento escolar.

Segundo os pesquisadores, a relação com os genes foi muito específica na maioria dos casos de violência juvenil.

Eles apontaram como exemplo que a reação ao repetir um curso dependeria de uma mutação do gene MAOA no jovem em questão. Por outro lado, uma certa mutação do DRD parecia entrar em atividade quando de forma regular o jovem não compartilhava os jantares com sua família.

"Mas se alguém tem um pai ou mãe que compartilha com ele o jantar ou outro tipo de refeição, o risco desaparece", indicou Guang Guo, professor de sociologia que dirigiu o estudo.

"Fazer refeições em família demonstra um interesse paternal.

Sugere que a presença dos pais é muito importante", acrescentou.

Guo afirma que talvez seja recomendável que as crianças mais vulneráveis tivessem alguém que representasse a figura paterna perante a ausência dos progenitores.

Segundo os cientistas, o resultado da pesquisa, que seria a primeira que vincula as variações moleculares genéticas com a delinqüência, "aumenta de maneira significativa" a "compreensão da conduta violenta ou delinqüente".

Além disso, "ressalta a necessidade de considerar de forma simultânea as origens sociais e genéticas" de uma pessoa. EFE ojl/bm/db

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