Estudo questiona defesa da circuncisão contra a Aids em gays

Por Will Dunham WASHINGTON (Reuters) - Não há comprovação científica de que a circuncisão proteja os homens de contraírem o vírus da Aids em relações homossexuais, embora esteja comprovada tal correlação em relações sexuais com mulheres, disseram pesquisadores dos EUA na terça-feira.

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Uma análise de 15 estudos envolvendo 53.567 homens homo e bissexuais em oito países não conseguiu demonstrar um claro benefício para os circuncidados, segundo os pesquisadores do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

Os homens circuncidados tinham 14 por cento menos chance de serem contaminados com o vírus HIV do que os demais, mas tal resultado não é estatisticamente relevante, segundo os pesquisadores.

"Não se pode dizer necessariamente com confiança que estejamos vendo um efeito real aqui", disse Gregorio Millett, coordenador do estudo, publicado na revista da Associação Médica Americana.

"No geral, não estamos encontrando um efeito protetor associado à circuncisão para homens gays e bissexuais", disse Millett por telefone.

Na África, onde a epidemia de Aids é transmitida prioritariamente por contatos heterossexuais, estudos mostram que a circuncisão masculina reduzia pela metade o risco de contágio da mulher para o homem.

Especialistas dizem que isso ocorre porque as células no interior do prepúcio -- a parte eliminada pela circuncisão -- são especialmente suscetíveis à contaminação pelo vírus.

Mas, por algum motivo, tal relação não parece se aplicar aos contatos homossexuais, que segundo o CDC responderam por 48 por cento dos 1,1 milhão de casos masculinos nos EUA. Mais de três quartos dos norte-americanos são circuncidados.

"Realmente não podemos recomendar a circuncisão masculina geral como estratégia para homens que fazem sexo com homens nos Estados Unidos", disse Millett.

Peter Kilmarx, também do CDC, mas não ligado à pesquisa, disse que a agência está preparando recomendações formais sobre a circuncisão nos EUA, para serem publicadas em forma preliminar a partir do começo de 2009.

O vírus HIV pode ser transmitido pelo sangue e pelo sêmen. Estudos na Austrália e no Peru mostraram que homens que praticavam a penetração anal em seus parceiros, mas não eram penetrados, obtinham um efeito protetor significativo contra o HIV pelo fato de serem circuncidados, segundo Millett.

"É claro que, se você está sendo penetrado por seu parceiro durante o sexo, ser circuncidado não vai lhe proteger de uma infecção pelo HIV", disse Millett.

De acordo com ele, dois estudos nos EUA e um no Peru, todos feitos antes da adoção dos atuais coquetéis de medicamentos contra a Aids, em 1996, mostraram que os homens circuncidados tinham 53 por cento menos propensão a serem contaminados pelo HIV do que os demais.

Ele disse que é possível que desde o advento desse coquetel, que fez muita gente encarar a Aids como uma doença crônica ao invés de uma sentença de morte, alguns homens homo e bissexuais podem ter se sentido mais livres para adotar comportamentos sexuais mais arriscados.

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