Por Maggie Fox WASHINGTON (Reuters) - Há coisas que nunca mudam. Cientistas apresentaram nesta sexta-feira os resultados da repetição de um antigo estudo que provou - antes e agora - que as pessoas obedientemente torturam desconhecidos com dolorosos choques elétricos se receberem tal ordem de uma autoridade.

No experimento realizado por Jerry Burger, da Universidade Santa Clara, na Califórnia, 70 por cento dos participantes continuaram aplicando os choques -- ou pelo menos pensando que aplicavam -- depois que um ator no papel de vítima afirmava estar sentindo dor.

"O que descobrimos é a validação do mesmo argumento -- se você coloca as pessoas em certas situações, elas vão agir de forma surpreendente, ou talvez até perturbadora," disse Burger por telefone. "Esta pesquisa ainda é relevante."

Em 1961, o professor Stanley Milgram, da Universidade Yale, publicou um experimento em que voluntários deveriam aplicar choques (na verdade simulados) em pessoas que errassem as respostas a determinadas perguntas.

Milgram relatou que, após ouvirem um ator gritar de dor sob um suposto choque de 150 volts, 82,5 por cento dos participantes continuavam aplicando os choques, e a maioria ia à voltagem máxima 450 volts.

A experiência surpreendeu psicólogos, mas nunca havia sido replicada por causa da angústia sofrida por muitos voluntários que acreditavam estar aplicando choques.

"Quando você escuta o homem gritar e dizer 'Deixa eu sair aqui, não aguento mais', esse é o ponto em que aparece o verdadeiro estresse pelo qual as pessoas criticaram Milgram". disse Burger.

"Foi uma experiência muitíssimo estressante para muitos dos participantes. Por essa razão ninguém pode replicar eticamente a experiência hoje."

Burger na verdade adaptou a experiência, limitando o falso choque a 150 volts para os 29 homens e 41 mulheres participantes. Ele media quantos voluntários começavam a dar novos choques quando eram assim orientados pelo líder da experiência -- que, no entanto, em seguida os mandava parar.

Na experiência original de Milgram, os 150 volts pareciam ser o ponto em que não há mais volta.

No experimento modificado de Burger, 70 por cento dos voluntários se mostravam dispostos a dar choques mais fortes do que 150 volts.

A certa altura, os coordenadores trouxeram um voluntário que sabia o que estava acontecendo e se recusou a administrar choques além de 150 volts. Apesar desse exemplo, 63 por cento dos participantes continuavam administrando choques além dos 150 volts,.

"Isso foi surpreendente e frustrante," disse Burger.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.