Estudo mostra que apenas um neurônio é capaz de reativar um membro paralisado

Um único neurônio é tudo de que se precisa para restabelecer o movimento voluntário de músculos paralisados, informaram nesta quarta-feira médicos norte-americanos.

AFP |

Em experiências que apontam para novos tratamentos para paralisias provocadas por ferimentos na coluna vertebral ou acidentes vasculares, macacos aprenderam em poucos minutos a dominar o poder de um único neurônio para ativar músculos imobilizados por drogas.

Há cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro humano, e o estudo sugere uma surpreendente flexibilidade no tipo de tarefas que podem desempenhar.

"Quase todos os neurônios que testamos podem ser utilizados pra controlar esse tipo de estímulo", declarou o autor e pesquisador da Universidade de Washington, Chet Moritz, em uma audioconferência com jornalistas.

Se um macaco pode fazer isso, um humano pode fazê-lo ainda melhor, indicou.

Os testes clínicos ainda levarão vários anos para comprovar isso, acrescentou Moritz.

Ferimentos na coluna vertebral provocam diferentes tipos de limitações motoras a centenas de milhares de pessoas por ano em todo o mundo, fazendo que os gestos mais simples -abrir uma porta, coçar-se, ou beber um copo de água- fiquem muito difíceis, até impossíveis.

Primeiro os cientistas conectaram eletrodos em neurônios individuais dentro do córtex motor do cérebro de um macaco e registraram a atividade elétrica.

Esses sinais foram enviados em tempo real para um computador, e de lá, por meio de um estimulador, para outro conjunto de eletrodos conectados diretamente a músculos do punho do macaco, que foram bloqueados de maneira artificial ao longo do canal neural normal.

Já que é necessário pouco poder de processamento, o computador tem o tamanho de um telefone celular e pode ser fixado ao corpo do animal.

Versões futuras serão sem fio e pequenas o bastante para que possam ser implantadas diretamente no corpo, indicou o pesquisador.

O macaco aprendeu um jogo de videogame simples, acertando alvos em uma tela com um aparelho controle remoto que manejou com uma só mão.

"Mas quando foi paralisado, a única maneira que tinha de mover seu punho era mudar a atividade de um neurônio individual em seu cérebro", explicou Moritz.

Em média, o macaco leva 10 minutos para "treinar" o novo neurônio o suficiente para que possa voltar a jogar.

"O cérebro pode aprender muito rápido a controlar novas células e a utilizá-las para gerar movimentos", disse o co-autor, Eberhard Fetz.

Este é também o primeiro estudo que prova que um neurônio pode controlar um músculo e possivelmente todo um grupo de músculos.

Eletrodos conectados a um lugar particular da coluna vertebral abaixo de um ferimento podem ativar 10 ou 15 músculos que já estão preparados para segurar uma xícara de café ou caminhar, disseram os pesquisadores.

E se um acidente vascular danificou o córtex motor, os pacientes poderão redirecionar outros neurônios que habitualmente não controlam músculos.

No entanto, restam vários obstáculos a serem superados antes que essas novas técnicas possam ser testadas em humanos, indicou.

Para evitar infecções, o sistema deve poder ser completamente implantado, para que os fios não passem através da pele. E os eletrodos deverão ser mais estáveis para que possam registrar a atividade de neurônios ao longo de anos, e não só semanas.

mh/dm

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