Estudo liga comida gordurosa ao mal de Alzheimer

Salamanca (Espanha), 10 dez (EFE).- Um estudo desenvolvido por pesquisadores espanhóis no Instituto Karolinska da Suécia vincula comida rica em gorduras e colesterol ao risco de desenvolver a doença de Alzheimer.

EFE |

O trabalho, do qual participaram os pesquisadores Laura Mateos Montejo e Ángel Cedazo-Mínguez, foi publicado recentemente na revista científica "Brain Pathology".

Em declarações à Agência Efe, Mateos Montejo explicou que a pesquisa foi feita com ratos aos quais se "proporcionou uma dieta com alto conteúdo em gorduras e colesterol durante nove meses".

Concluído esse período, os roedores "apresentaram alterações em nível cerebral na expressão de genes implicados em processos neurodegenerativos", entre os quais destacou a redução nos níveis de Arc, uma proteína-chave nos processos de formação de memória.

A pesquisa mostra também como os cérebros procedentes de pacientes que sofreram a doença de Alzheimer apresentam baixos níveis desta proteína.

Entre as conclusões do estudo, seus autores assinalam que o colesterol da dieta "é transformado no fígado em 27-hidroxicolesterol, que atravessa a barreira hematoencefálica e chega ao cérebro" e seria "este metabolismo do colesterol o responsável pela queda nos níveis de Arc".

Laura Mateos assegurou que estudos epidemiológicos demonstram que "um alto nível de colesterol no sangue é um fator de risco para a doença de Alzheimer".

Os resultados experimentais aos que chegaram os analistas "ajudam a compreender por que a comida com alto conteúdo de gorduras e colesterol, unida a uma maior predisposição genética, podem afetar negativamente o cérebro, e como conseqüência, favorecer o desenvolvimento do Alzheimer".

Sobre o momento atual da luta contra esta doença, a médica espanhola disse que "se conhecem alguns dos fatores que predispõem a doença", mas, no entanto, "se desconhece a causa direta".

Em sua opinião, trata-se de uma doença "preocupante", levando em conta, além disso, que, segundo as estatísticas, sofrem dela entre 10% e 15% dos maiores de 65 anos e quase 50% dos com mais de 85 anos.

Atualmente, há mais de 25 milhões de pessoas afetadas por essa doença no mundo todo. EFE np/jp

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