Estudo diz que Universo é mais transparente do que cientistas pensavam

Madri, 26 jun (EFE).- O Universo é mais transparente do que estabeleciam até agora os modelos científicos, o que obrigaria a buscar novos enfoques para explicar a formação e a evolução das galáxias, depois que um grupo de cientistas detectou uma radiação a mais de cinco bilhões de anos luz.

EFE |

É o que diz um estudo baseado em observações do telescópio Magic, situado na ilha canária de La Palma, cuja conclusão principal é de que o Universo não é tão opaco como postulam os modelos atuais de luz extragaláctica de fundo.

Os resultados da pesquisa foram publicados no último número da revista científica americana "Science".

Até o momento, nunca havia sido detectada uma radiação gama proveniente de um quasar (núcleo brilhante de uma galáxia distante) tão distante da Terra, concretamente a mais de cinco bilhões de anos luz.

O estudo é baseado na emissão de raios gama do quasar 3C 279 registrado pelo telescópio Magic, uma instalação administrada por um consórcio internacional e localizada em La Palma.

De acordo com os modelos científicos estabelecidos, o Magic não deveria ter detectado tal quantidade de radiação gama de 3C 279.

Os pesquisadores previam que esta forma de energia chegasse à Terra muito mais atenuada, dada a distância que devia percorrer.

Os quasares abrigam um disco de gás quente e nuvens moleculares que giram a uma grande velocidade em torno de um buraco negro super massivo, que suga parte do material do disco, o que gera emissões muito energéticas.

Da mesma forma que em outros fenômenos astrofísicos de grande intensidade, parte da energia que esses quasares emitem toma a forma de raios gama, um tipo de radiação eletromagnética muito forte.

Segundo o astrônomo Francisco Prada, um dos participantes do trabalho através do Centro Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC), os dados do telescópio Magic sobre a radiação gama do quasar 3C 279 provam que o Universo é mais transparente do que se pensava.

Inclusive a hipótese mais conservadora, que se baseia na recontagem de galáxias e no cálculo da luz emitida ao longo de suas vidas, parte de uma densidade de luz de fundo dificilmente compatível com o limite máximo descoberto pelo recente estudo.

O Magic é um telescópio de raios gama com um espelho de 17 metros de diâmetro, o de maior tamanho do mundo, e detecta os raios graças aos curtos brilhos de luz produzidos quando interagem com as partículas da atmosfera terrestre, conhecidos como radiação de Cherenkov.

Entre os objetos de estudo do Magic figuram os fenômenos mais violentos do Universo, como supernovas, explosões de raios gama e quasares.

A gestão do Magic depende de uma colaboração internacional com cerca de 150 pesquisadores de Alemanha, Itália, Suíça, Polônia, Finlândia, Bulgária, Estados Unidos e Espanha. EFE aqr/rb/rr

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