Estudo diz que solução para mudança climática poderia agravar problema

Washington, 24 abr (EFE) - A idéia de injetar partículas de enxofre na estratosfera para neutralizar o aumento das temperaturas, como defendem alguns especialistas, poderia reduzir mais a camada de ozônio que protege a Terra, advertiu um estudo publicado hoje pela revista Science.

EFE |

A camada de ozônio impede a passagem, através da atmosfera, da maior parte dos raios ultravioleta emitidos pelo sol que, segundo os oncologistas, são a principal causa dos melanomas, um dos tipos mais letais de câncer de pele.

Segundo Simone Tilmes, do Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica (NCAR, em inglês), a idéia de aplicar partículas de enxofre na estratosfera poderia atrasar durante décadas a recuperação da camada de ozônio sobre a Antártida, e, além disso, causaria uma grande perda de ozônio sobre o Ártico.

"Nossa investigação estabelece que tentar esfriar artificialmente o planeta poderia ter efeitos colaterais perigosos", indica Tilmes em seu relatório sobre a pesquisa.

"Ainda quando a mudança climática é uma grande ameaça, é necessário que se realize uma maior investigação antes de tentar soluções de geoengenharia", manifestou.

Nos últimos anos, os especialistas em climatologia elaboraram diversos planos de "geoengenharia" para esfriar o planeta e reduzir os impactos mais graves do aquecimento global.

Esses planos se somariam aos esforços para reduzir as emissões de gases estufa, que são considerados a principal fonte da mudança climática.

Uma dessas idéias, do dinamarquês Paul Crutzen, Prêmio Nobel de Química 1995 e outros cientistas, consistiria em injetar grandes quantidades de partículas de enxofre na estratosfera para bloquear os raios do sol.

A operação resfriaria a superfície terrestre da mesma forma como as partículas sulfúricas emitidas pelas mais grandes erupções vulcânicas reduziram as temperaturas terrestres.

Mas os resultados dessas erupções também foram a causa principal da redução da camada de ozônio na estratosfera, segundo os cientistas.

Eles afirmam que os sulfatos dos vulcões fornecem uma superfície sobre a qual se podem ativar os gases de cloros nas camadas polares baixas da estratosfera.

Esse fenômeno provocaria reações químicas que intensificam a destruição das moléculas de ozônio, advertem.

Baseados nessas conclusões, os cientistas do NCAR dizem que nas próximas décadas as hipotéticas injeções sulfúricas na estratosfera destruiriam entre 25% e 75% da camada de ozônio sobre o Ártico.

Essa destruição afetaria a maior parte do Hemisfério Norte devido às circulações atmosféricas.

O impacto seria provavelmente menor durante a segunda parte deste século em decorrência dos acordos internacionais que proíbem a produção de substâncias químicas, entre eles os aerossóis, que são considerados a principal causa da redução da camada de ozônio.

Em 1987, a comunidade internacional se comprometeu, através do Protocolo de Montreal, a reduzir a produção de substâncias conhecidas como clorofluorocarbono que causam as reações químicas que destroem o ozônio.

No outro extremo do planeta, os sulfatos retardariam a recuperação da camada de ozônio sobre a Antártida em entre 30 e 70 anos ou até a última década do século atual, segundo os cientistas.

"Este estudo ressalta outra relação entre o aquecimento global e a redução do ozônio", disse Ross Salawitch, cientista da Universidade de Maryland e um de seus autores.

"Acreditava-se que eram problemas separados, mas agora reconhecemos cada vez em maior medida que estão unidos de uma forma sutil, mas extremamente importante", acrescenta. EFE ojl/db

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