Estudo diz que solução para maioria dos conflitos não é militar

Berlim, 26 mai (EFE).- Um relatório anual divulgado pelos cinco principais institutos de estudos sobre a paz na Alemanha advertiu que a maioria das guerras atuais não podem ser resolvidas através da força militar e que é necessário criar instituições que sejam aceitas pela população.

EFE |

Segundo o relatório, apresentado hoje em Berlim, tanto os conflitos no Oriente Médio, quanto os no Sudão e no Congo são mal interpretados se encarados como confrontos militares primordialmente.

Os conflitos em Afeganistão e Paquistão, segundo os analistas, também não poderão ser decididos nos campos de batalha.

"A fraqueza ou a ausência total de instituições estatais e o afundamento dos mecanismos de regulação social deixam um vazio que o talibã e outros rebeldes aproveitam", explica o relatório.

De acordo com o professor Jochen Hippler, do Instituto de Desenvolvimento e Paz de Duisburg (Inef, em alemão), o envio de mais tropas ao Afeganistão "para defender o Estado não acabará com a guerra".

"Esse Estado quase não está presente nas zonas rurais, tem pouco a oferecer aos cidadãos e é rejeitado, porque a população o considera repressivo, inoperante ou corrupto", completou Hippler.

Segundo os especialistas, todas as medidas, tanto militares quanto de cooperação e desenvolvimento, devem ter o objetivo de criar instituições estatais fortes, efetivas e próximas aos cidadãos.

Com relação ao conflito entre palestinos e israelenses, o estudo constatou que é necessário um maior compromisso europeu na busca por uma solução para a questão na Faixa de Gaza.

De acordo com o relatório, o mundo ocidental, especialmente os países europeus, deveria enviar um sinal claro aos palestinos de que um Governo de união nacional será reconhecido e apoiado, sob a condição de que se abra mão do uso da violência contra Israel.

Um aprofundamento das relações europeias com Israel, por sua vez, só deve acontecer caso o país ponha um fim às construções de assentamentos e ao muro na Cisjordânia.

Além disso, o relatório sustenta que o envio de armas alemãs e europeias a Israel é algo inadmissível, após a suspeita de crimes de guerra nos ataques sobre Gaza.

"Enquanto Israel não permitir uma investigação independente, deve ser aplicado o código de conduta europeu, que, como se sabe, proíbe a exportação de armas quando existe o perigo de que seu uso ameace o direito internacional humanitário", disse Hippler. EFE rz/pd/rr

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