LONDRES - O número de pessoas mortas em virtude de guerras em 13 países, entre 1955 e 2002, foi três vezes maior que o estimado, segundo estudo divulgado hoje nos Estados Unidos.

Os autores do estudo, liderados pelo doutor Ziad Obermeyer do Institute Health Metrics and Evaluation de Seattle, afirmaram que seu método, baseado em dados obtidos antes e depois das guerras, é mais confiável do que outros utilizados até o momento.

Isso porque os estudos que levam em conta as mortes por lar - método utilizado recentemente no Iraque - foram criticados por não ser objetivos e apresentar uma tendência ao exagero.

Já os cálculos baseados em depoimentos de testemunhas ou meios de comunicação foram criticados por não estar presentes nas regiões das mortes.

O estudo do doutor Obermeyer, publicado hoje no "British Medical Journal", calcula o número de mortes por causas violentas nos conflitos comparando a informação obtida durante as guerras por testemunhas e imprensa com dados sobre as famílias conseguidos em tempos de paz.

Desta forma, os pesquisadores obtiveram estatísticas mais confiáveis sobre 13 países - Bósnia, Zimbábue, Bangladesh, Guatemala, Geórgia, Etiópia, Filipinas, Namíbia, Laos, Congo, Vietnã, Mianmar e Sri Lanka -, ao longo de um período de 50 anos.

Eles utilizaram dados adquiridos durante as guerras com estudos sobre Saúde Mundial realizados posteriormente pelas Nações Unidas.

Segundo cálculos, de 1985 a 1994, 378 mil pessoas morreram por ano em virtude de guerras.

A maior diferença ocorre no caso de Bangladesh, durante o conflito pela independência.

Os pesquisadores chegaram ao número de 269 mil mortes, contra as 58 mil que se consideravam até agora.

Em artigo que acompanha ao estudo, o professor Richard Garfield, da Universidade de Colúmbia (Nova York), diz que mesmo estes números obtidos com métodos mais confiáveis subestimam o número real de mortos em guerra.

Para Garfield, grande parte das mortes não acontece em combate, mas em virtude de infecções e problemas de saúde, em conseqüência dos conflitos.

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