Estudo diz que mudança climática gerou novas espécies na Amazônia

Washington, 22 jul (EFE).- Cientistas brasileiros e americanos acreditam que a mudança climática e as oscilações do nível marinho promoveram há milhares de anos o surgimento de novas espécies animais na região da Amazônia.

EFE |

Em um relatório publicado pela revista "PLoS ONE", os cientistas da Universidade Estadual Paulista e da Universidade do Texas (EUA) admitiram que isso explicaria o fato de que a bacia amazônica é a que abriga a maior riqueza biológica do planeta.

Essa conclusão foi baseada na análise de três tipos de formigas saúvas que cultivam seu próprio alimento a base de fungos, o que determinou de que forma a geografia e o clima afetaram o desenvolvimento de novas espécies.

"Nosso estudo é único porque se baseou em um inseto. Os anteriores se centraram em pássaros, mamíferos e outros vertebrados.

Os insetos representam a maior parte da diversidade animal na Amazônia", disse Scott Solomon, principal autor do estudo.

A mudança climática da última glaciação que ocorreu há aproximadamente 21 mil anos obrigou essas formigas a construírem refúgios isolados nos quais evoluíram tanto que as espécies descendentes se tornaram totalmente diferentes.

"Durante a última glaciação a região amazônica era mais fria e seca que agora, embora provavelmente estivesse coberta por florestas", afirmou Solomon.

Ao comparar, a partir de um método informático, a situação climática onde vivem agora essas espécies com o que foi o clima no passado, os cientistas determinaram onde cada uma delas poderia ter vivido durante essa glaciação.

Seu cálculo foi reforçado por seqüências de DNA de cada espécie nas quais descobriram que as mudanças deixaram uma marca genética que pode ser detectada nas formigas que povoam a região.

Por outro lado, antes dessa glaciação, os níveis marítimos tiveram influência especial na separação de muitas espécies e na evolução de outras.

Segundo os cientistas, muitas regiões da América do Sul cobertas agora por florestas estavam sob o mar há 10 e 15 milhões de anos.

Os picos das regiões mais altas, entre elas cadeias montanhosas como à cordilheira dos Andes, eram na realidade ilhas nas quais as espécies evoluíam independentemente uma de outra.

Segundo cientistas, a evidência genética coincide com as duas possibilidades e sugere que tanto as remodelações causadas pela mudança climática como a inundação da bacia amazônica foram responsáveis pela diversidade desse tipo de formigas e de outros espécies. EFE ojl/bm/rr

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