Londres, 1º abr (EFE).- Pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer do Reino Unido identificaram pela primeira vez uma molécula que estimula o desenvolvimento da leucemia em crianças, segundo estudo publicado na edição de abril do Journal of Clinical Investigation.

Os cientistas observaram que células-tronco pré-leucêmicas se multiplicaram em detrimento das saudáveis quando expostas a uma molécula produzida pelo corpo humano chamada TGF.

A produção da TGF é uma resposta padrão do organismo a uma infecção, o que faz com que o estudo seja a primeira evidência de que infecções comuns podem levar à leucemia infantil.

Em um estudo realizado com duas gêmeas idênticas no ano passado, os pesquisadores descobriram que uma mutação genética era a responsável por iniciar a leucemia infantil ainda no ventre da mãe.

A mutação significa que as células pré-leucêmicas crescem na medula óssea tal qual uma "bomba-relógio silenciosa" que pode permanecer no corpo por 15 anos.

O trabalho divulgado hoje sugere que esta mutação pode estar presente em até 1% dos recém-nascidos, mas apenas uma criança dessa percentagem viria a desenvolver a leucemia.

"Identificar esse passo significa poder determinar como uma resposta imunológica não habitual a uma infecção pode disparar o desenvolvimento pleno da leucemia. Eventualmente, será possível elaborar medidas preventivas como uma vacina", disse o cientista Mel Greaves, um dos participantes do estudo.

Já Shabih Syed, diretor da organização Leukaemia Research (Pesquisa sobre Leucemia), declarou que "antes desse estudo, havia apenas provas circunstanciais de influência de infecções em uma criança que possui células pré-leucêmicas até o momento em que ela de fato passa a ter leucemia".

Para Syed, "esse estudo aumenta consideravelmente a consistência das evidências sobre o papel da TGF na forma mais comum de leucemia infantil". EFE fpb/bba

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