Estudo diz que água era abundante em Marte há bilhões de anos

Londres, 16 jul (EFE).- A água foi um elemento abundante no primeiro período geológico de Marte, entre 4,6 e 3,8 bilhões de anos atrás, quando foi determinante para a formação de minerais tanto na superfície como no subsolo do planeta vermelho, diz um estudo publicado na revista britânica Nature.

EFE |

Após analisar os últimos dados proporcionados pela nave "Mars Reconnaissance Orbiter", pesquisadores da Brown University (EUA) publicam hoje suas conclusões na "Nature".

Vastas regiões de Marte foram ricas em água durante o período Noachian, uma época em que houve processos hidrológicos dominantes em toda a crosta marciana, em até cinco quilômetros de profundidade.

Os minerais que estiveram em contato com a água são os que permitiram aos cientistas compreenderem que Marte não era um "caldeirão a ponto de ebulição", mas um lugar que pode ter abrigado vida microorgânica.

Estes minerais são os filosilicatos, um tipo de argila encontrada nos restos do período Noachian das regiões montanhosas do sul do planeta e que preservaram o rastro da interação com a água.

A formação dos filosilicatos, ou silicatos hidratados, precisou de uma elevada ação de água e um ambiente de ph de moderado a alto.

Além disso, os cientistas asseguram que a temperatura em que se formaram foi baixa, de 100 a 200 graus centígrados, algo que mantém aberta a possibilidade de que a vida de microorganismos foi uma realidade em Marte.

Um mapa do planeta vermelho indica que há regiões ricas nestes minerais, embora se limitem a terrenos antigos e a uma pequena gama de elementos, como ferro, magnésio e esmectitas de alumínio.

As camadas da Nili Fossae - uma das fossas de Marte - mostram camadas do mineral olivina acima destes filosilicatos, o que indica o momento da cessação da atividade hidrológica antes da formação vulcânica da olivina.

A "Mars Reconnaissance Orbiter" documentou centenas de mostras de filosilicatos de ferro e magnésio em conchas, ejeções e cimos de crateras do sul do planeta.

Além disso, estes minerais foram encontrados em depósitos sedimentários claramente transportados pela água.

Mais especificamente, na cratera Jezero foram descobertos dois deltas e os cientistas asseguram que existiu um lago de grandes dimensões e correntes aquáticas de 15 mil quilômetros quadrados.

Devido à abundância de água e ao transporte de sedimentos, os pesquisadores acreditam que, se existiu a vida marciana, os deltas foram o lugar adequado para seu desenvolvimento. EFE vmg/rr

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