Estudo diz que 80% das mortes por hipertensão ocorrem em países pobres

(embargada até 20h01 de 2 de maio, horário de Brasília) Londres, 1 mai (EFE).- As doenças cardiovasculares deixaram de ser um problema exclusivo dos países ricos, já que 80% das mortes relacionadas com a hipertensão acontecem em países em desenvolvimento e de baixa renda.

EFE |

Essa conclusão foi tirada a partir de um estudo realizado por especialistas da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, publicado na revista médica britânica "The Lancet".

Segundo a pesquisa, as doenças cardiovasculares já são endêmicas no mundo todo e não se limitam aos países desenvolvidos economicamente.

De acordo com seus autores, 7,6 milhões das mortes prematuras - 13,5% do total global - e 92 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade - medida utilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) - podem ser atribuídas à hipertensão.

Aproximadamente 54% das apoplexias e 47% das doenças cardíacas no mundo todo são fruto da alta pressão sanguínea.

Nos países ricos, a proporção de mortes prematuras devido à hipertensão era mais alta (17,6%) que nas nações de renda média ou baixa (12,9%).

Porém, levando em conta os dados em sua totalidade, 80% das mortes pelo problema acontecem nesses dois últimos grupos de países.

Mais de um terço das mortes nos Estados de renda baixa da Europa e da Ásia Central estão relacionadas com a hipertensão sangüínea, indicam os autores do estudo, Carlene Lawes e Anthony Rodgers.

Em números totais, os países ricos registraram 418 mil mortes por apoplexia, 668 mil por doenças cardíacas, 109 mil pelas chamadas doenças hipertensivas e 197 mil por outros problemas de tipo cardiovascular, em um total de 1,39 milhão de mortes.

No entanto, essas cifras são muito inferiores às registradas nos países de renda baixa e média: 2,5 milhões por apoplexia, 2,68 milhões por doenças do coração, 598 mil por doenças hipertensivas e 445 mil por outras de tipo cardiovascular, o que totaliza 6,22 milhões de mortes.

Segundo o professor Stephen MacMahon, do George Institute for International Health, da Universidade de Sydney, "os países de renda baixa e média têm índices de morbidade cinco vezes superior às nações ricas".

"Mas, ao mesmo tempo, só têm acesso a menos de 10% dos recursos de tratamento existentes no mundo, algo que não pode continuar", acrescentou. EFE jr/rr/db

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