Estudo desvenda mistério histórico sobre domesticação de ovelhas

Madri, 23 abr (EFE).- Um estudo genético que analisou a presença de seis retrovirus endógenos no genoma de 1.

EFE |

362 ovelhas de 133 raças domésticas de Europa, Ásia e África e seus parentes selvagens mais próximos confirmou que a domesticação da espécie aconteceu em duas fases diferentes.

Com o trabalho, foi possível "desvendar o questionamento da história da domesticação da ovelha" ao se confirmar geneticamente as hipóteses tidas até agora por historiadores e arqueólogos a respeito, após uma pesquisa realizada por um consórcio internacional" e que foi publicada na revista "Science".

Assim explicou hoje à Agência Efe o veterinário geneticista Félix Goyache, do Serviço Regional de Pesquisa e Desenvolvimento Agroalimentar de Astúrias (Serida), um dos envolvidos no estudo junto com cientistas de 20 países liderados por Massimo Palmarini, um virólogo da Faculdade de Veterinária da Universidade de Glasgow, no Reino Unido.

Até agora, segundo Goyache, "não se sabia onde se iniciou a domesticação da ovelha para obter produtos inovadores como a lã e também não existiam marcadores genéticos apropriados para distinguir as raças de ovelhas primitivas de outras mais modernas e melhoradas".

Estas são algumas das conclusões da pesquisa, financiada fundamentalmente pelo Conselho de Pesquisas de Ciências Biológicas e Biotecnologia do Reino Unido (BBSRC) e Wellcome Truste.

Para Goyache, o estudo "é de grande relevância já que une disciplinas aparentemente afastadas como a virologia, a genética, a evolução, a história e a arqueologia".

A vantagem apresentada na pesquisa pelo exame de retrovirus (uma família de vírus que atuam inserindo seu genoma no DNA próprio da célula a infectar) é que se podem utilizar para traçar a história de uma espécie animal, pois, como conta Goyache, quando infectam uma célula germinal estas são transmitidas de pai para filho indefinidamente.

"Os retrovirus endógenos podem ser comparados com fósseis genéticos, relíquias de antigas infecções que ocorreram na ovelha e seus ancestrais há milhares de anos, integrando seu DNA no código genético dos animais infectados, e transmitindo às gerações posteriores", disse Goyache.

Com o estudo, foi confirmado que grande parte das ovelhas produtoras de lã ou de leite de hoje em dia seriam resultado de uma segunda domesticação da espécie, posterior a outra que inicialmente se centraria em aproveitar a carne dos exemplares domesticados pelas povoações humanas do Neolítico.

O pesquisador conta que, historicamente, a domesticação desses animais é "um fato fundamental da humanidade" ocorrido aproximadamente há 11 mil anos no Sudoeste da Ásia para expandir-se depois à Europa e ao resto do mundo. EFE aqr/rr

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