Estudo da Fiocruz diz que ovos do Aedes aegypti podem sobreviver até um ano

Rio de Janeiro, 25 out (EFE).- Os ovos do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, podem sobreviver até um ano e resistir aos inseticidas, graças a uma película protetora que os envolve e que se forma nas primeiras 15 horas depois que ele é colocado, segundo um estudo divulgado hoje.

EFE |

O estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz revela que os mosquitos podem sobreviver durante meses em ambientes hostis, em locais secos e sem água, e esperar até as chuvas do verão seguinte para nascer.

Os resultados da pesquisa mostraram que os ovos são vulneráveis a inseticidas e a cloros apenas nas primeiras 15 horas, informou a Fiocruz em seu site.

Após esse período, os ovos ficam envolvidos por uma película transparente e impermeável que os protege de cloros e inseticidas e que os permite esperar pelo ambiente mais adequado.

"Assim que depositados, os ovos passam a absorver água, aumentam de volume, desenvolvem uma casca escura e rígida e, ainda durante a embriogênese, que dura aproximadamente 60 horas, tornam-se impermeáveis, adquirindo grande resistência em ambientes pouco favoráveis, onde não existe água", disse Gustavo Rezende, um dos coordenadores do projeto.

"Dessa forma, por exemplo, podem sobreviver durante a época seca do ano e se desenvolver em larvas somente no início do verão seguinte, com a chegada de condições ambientais mais favoráveis", acrescentou o biomédico.

Os resultados do estudo demonstraram que o mais efetivo para combater a dengue é a prevenção. Da mesma forma, indicaram que é possível desenvolver um inseticida mais eficaz contra o mosquito, já que os atuais só têm algum efeito enquanto os mosquitos são larvas ou adultos.

"A partir de estudos como esse, portanto, talvez seja possível desenvolver inibidores para sua atividade, que impeçam a formação dos ovos, permitam sua degradação ou ainda induzam a formação de adultos despreparados para o ambiente seco, levando a sua morte por desidratação", afirmou Rezende.

As autoridades lançaram este mês uma campanha nacional de combate ao Aedes aegypti diante do temor de que a epidemia do último verão se repita.

No Rio de Janeiro, o estado mais afetado e que sofreu com a pior epidemia na história, foram registrados, entre novembro de 2007 e março deste ano, 249 mil casos da doença e 164 mortes. EFE cm/fh/an

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