Estudo confirma riscos cardíacos do Vioxx

Por Julie Steenhuysen CHICAGO (Reuters) - Uma análise de longo prazo de consumidores do antiinflamatório Vioxx confirma que o medicamento, já retirado do mercado, dobra o risco de derrames e ataques cardíacos, disseram pesquisadores na segunda-feira. O risco, no entanto, desaparece um ano depois da interrupção do consumo.

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De acordo com esse estudo, publicado na revista médica Lancet, outras drogas da mesma classe de analgésicos, os inibidores de Cox-2, podem provocar danos semelhantes.

"A boa notícia é que os dados sugerem que o risco não persiste para sempre. O risco volta ao normal após um ano de acompanhamento", disse Robert Bresalier, do Centro Anderson do Câncer, na Universidade do Texas, autor do estudo.

Em 2004, os dados preliminares desse estudo levaram o laboratório Merck a suspender as vendas do seu popular medicamento, usado especialmente no combate à artrite.

No ano passado, a Merck reservou 4,85 bilhões de dólares para pagar milhares de acordos judiciais com vítimas de infartos, derrames e mortes supostamente causados pelo Vioxx. O estudo original, pago pelo próprio laboratório, deveria determinar se o remédio serviria na prevenção a pólipos que elevam o risco de câncer de intestino.

Na análise publicada em 2005 por Bresalier e seus colegas, estimava-se que o risco levava 18 meses para se instalar, prazo que foi muito citado na defesa da Merck nos tribunais.

A revista divulgou posteriormente nota em seu site dizendo que a diferença não era estatisticamente significativa. A nova análise, feita com estatísticos independentes, sugere que o risco ocorre antes e persiste, segundo Bresalier.

"Estes dados mostram que não se pode determinar precisamente o momento do risco, ele parece começar relativamente cedo", disse ele por telefone.

O estudo examinou os efeitos de três anos de tratamento com o Vioxx (nome genérico: rofecoxib) em 2.587 pacientes, examinados com relação aos efeitos adversos durante o uso e duas semanas após a interrupção. Pacientes que deixaram de usar o remédio devido a efeitos cardíacos adversos tiveram acompanhamento por um ano. "Essencialmente, o risco relativo permaneceu o mesmo", disse Bresaliser.

Pessoas que usaram o Vioxx durante o estudo tinham aproximadamente o dobro do risco de sofrer um ataque cardíaco ou derrame do que os pacientes que receberam um placebo, segundo ele.

A Merck disse que as conclusões em geral são consistentes com o estudo original, mas lembrou que nem todos os pacientes puderam ser acompanhados após a suspensão da droga e que a análise não conseguiu levar em conta outros riscos cardíacos.

Em nota, a empresa disse que a pesquisa "usando dados limitados de uma pesquisa prematuramente interrompida precisa ser interpretada muito cautelosamente e no contexto do resto dos dados do extenso programa de desenvolvimento clínico do Vioxx".

De acordo com Bresalier, outros estudos desde a descoberta inicial do risco apontam para riscos semelhantes de outros inibidores de Cox-2, como o Celebrex (celecoxib), da Pfizer, e para antiinflamatórios não-esteróides, como o ibuprofeno. "Isso não significa que não sejam boas drogas, só que há um risco ampliado do qual precisamos estar conscientes", disse o cientista.

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