Estudo aponta mecanismo que mantém corpo hidratado durante o sono

Um estudo de neurociência da Universidade de Saúde de Montreal, Canadá, divulgado na última segunda-feira (1º) sugere que o relógio interno do corpo ajuda a regular o hormônio do armazenamento de água o que faz com que a desidratação e visitas noturnas ao banheiro não sejam uma regra.

iG São Paulo |

A pesquisa realizada pelos neurofisiologistas Eric Trudel e Charles Bourque, do Universidade McGill, no Canadá, sugere que um mecanismo do relógio interno do corpo controle a hidratação do corpo. O mecanismo funciona através do aumento dos níveis de hormônio vasopressina, que instrui o corpo a armazenar água. Desta forma o relógio mantém o corpo hidratado durante o sono.

"Nós sabemos há anos que o ritmo desse hormônio (a vasopressina) fica alto enquanto você dorme. Mas, ninguém sabia exatamente como isso acontece. Os canadenses identificaram este mecanismo fisiológico de uma maneira muito precisa", explica Christopher Colwell, um neurocientista que estuda o sono e ritmos circadianos na Escola de Medicina da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

O corpo regula o volume de água principalmente balanceando seu consumo através da sede e da perda de líquido pela produção de urina e suor. As pessoas não bebem durante o sono, então o corpo precisa minimizar a perda de água para permanecer hidratado. Cientistas sabiam que o nível baixo de água estimula determinados neurônios, chamados de osmossensíveis, que por sua vez ativam outro grupo de neurônios a liberar a vasopressina na corrente sanguínea. Os níveis de vasopressina aumentam durante o sono, enquanto cai a atividade dos neurônios que regulam o relógio interno.

Alerta de sede

Os neurofisiologistas testaram a ideia de que a baixa atividade do relógio interno pode permitir que os neurônios liberem mais facilmente a vasopressina, o que significaria mais retenção de água e menos produção de urina durante a noite.

Para fazer isso, os cientistas isolaram fatias finas de cérebro de rato contendo neurônios dos três tipos. Mesmo depois de removidos, os neurônios-relógio continuaram a marcar o tempo.

Depois Trudel e Bourque estimularam os neurônios osmossensíveis e registraram a  atividade elétrica nos neurônios de liberação de vasopressina para monitorar a comunicação entre os dois grupos de células. Em seguida, monitoraram a atividade dos neurônios-relógio para acompanhar seu efeito no mecanismo. Assim, os cientistas perceberam que quando eles não acordavam as células-relógio durante o período de sono, era mais fácil para as células osmossensíveis se comunicarem com os neurônios que liberam vasopressina. Já quando eles ativavam os neurônios-relógio, a comunicação diminuiu.

O resultado sugere que as células-relógio controlam a água do corpo. Quando a atividade está alta, elas impedem que as células sensoriais orientem as células secretoras para liberar a vasopressina. Quando a células-relógio estão menos ativas, as sensoriais instruem as células secretoras à liberar o hormônio, assegurando que o corpo mantenha suas reservas de água.

Colwell ressalva que o estudo foi feito em ratos, que são animais noturnos. Embora o ciclo de vasopressina e a atividade de neurônios do relógio biológico sejam semelhantes entre seres humanos e ratos, ainda fica a questão se o mesmo mecanismo funciona para espécies que dormem à noite ou para outros fenômenos controlados por ritmos circadianos, como fome e sonolência.

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