Estudo alerta para exploração de menores em estradas do Paquistão

Islamabad, 18 fev (EFE).- A exploração sexual de menores é uma prática muito comum nas estradas do Paquistão, segundo um estudo em que quase 25% dos motoristas que trabalham no transporte de cargas e pessoas admitiram manter relações com crianças e adolescentes regularmente.

EFE |

"A exploração sexual de menores na indústria do transporte do Paquistão acontece em grande escala e está se institucionalizando", denunciou em entrevista coletiva o presidente da Comissão de Direitos das Crianças, Muhammad Tufail.

O grupo, que reúne várias ONGs paquistanesas, elaborou o estudo em parceria com a organização Save the Children.

Segundo o trabalho, apresentado hoje em Islamabad, 11% dos motoristas entrevistados admitiram manter relações sexuais com seus ajudantes, que, em média, têm 16 anos. Outros 14% disseram fazer sexo com outros menores.

Além disso, 44% dos empregados do setor afirmaram que seus colegas fazem sexo com menores de idade, percentagem maior que a dos entrevistados que disseram que seus companheiros regularmente procuram os serviços de prostitutas adultas.

Na maioria das vezes, o sexo com menores acontece no veículo das transportadoras e, durante a prática, não são utilizados métodos contraceptivos nem de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

"O uso de menores para a satisfação de necessidades sexuais frequentemente responde a uma questão de disponibilidade. É mais fácil e barato ter sexo com os ajudantes ou com outros menores que com as mulheres", destacou Tufail.

Para o ativista, "a principal preocupação" é que essas práticas "são aceitas por seus atores como uma dinâmica normal da profissão".

"Há um enorme problema de educação. Nem os ajudantes se consideram vítimas nem os motoristas infratores", disse Tufail, segundo quem quase não são feitas denúncias porque as autoridades não se preocupam com essas ações, tipificadas como delito, e, em algumas vezes, fazem a vista grossa em troca de dinheiro.

O estudo revelou ainda um alto consumo de drogas, especialmente haxixe, entre os motoristas, que, em sua maioria, são homens casados das etnias pashtun e punyabi, descontentes com o emprego e o salário, com pouca educação e que passam 21 dias do mês fora de casa.

Segundo o relatório, o salário médio dos ajudantes varia de 2.000 a 5.000 rúpias mensais (US$ 23 a US$ 58). Mas esse valor sobe quando o assistente aceita prestar serviços sexuais ou fazer massagens, atividades pelas quais "meninos de boa aparência" podem ganhar até US$ 115 de extra em um mês.

O estudo foi feito por grupos de trabalho que entrevistaram 500 motoristas, ajudantes e empregados de restaurantes e hotéis em diferentes centros de transporte de seis grandes cidades paquistanesas, como Rawalpindi, Lahore (leste) e Karachi (sul). EFE igb/sc

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