Estudo alerta para aumento da instabilidade na A.Latina

Londres, 3 fev (EFE).- A América Latina enfrenta inúmeras e complexas ameaças em matéria de segurança e estabilidade militar que põem o equilíbrio regional em risco, aponta o relatório Military Balance 2010, apresentado hoje em Londres pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, em inglês).

EFE |

O relatório deste "think tank" ligado aos Governos de Estados Unidos e Reino Unido diz que as nações latino-americanas têm atualmente "a necessidade e a oportunidade de fazer um esforço coletivo a favor da segurança da região".

A necessidade "surge em parte pela falta de apetite nos Estados Unidos para mediar conflitos regionais" na América Latina e pelo "fato de que há um número crescente de ameaças" que põem em perigo a estabilidade regional.

Estas ameaças, segundo o IISS, são a deterioração da democracia, o temor de um fracasso do Estado, o crime organizado transnacional, o terrorismo, as guerrilhas, o tráfico de armas, drogas e pessoas, a concorrência pelos recursos naturais, a degradação ambiental e a perda da coesão social.

O relatório destaca os esforços para desenvolver instituições regionais que desenvolvam a cooperação em matéria de segurança e defesa, como a União de Nações Sul-americanas (Unasul), mas lembra que na região andina não há uma aproximação entre Governos para encarar as ameaças transnacionais.

O IISS descreve a cooperação regional em matéria de segurança como "frágil" existindo unicamente "vínculos militares e de segurança limitados no âmbito bilateral".

Cita como exemplos que México e Colômbia "reforçaram sua relação militar com os Estados Unidos" e que a Venezuela "desenvolveu vínculos com China, Irã e Rússia".

Além disso, "outros membros da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) - Equador, Bolívia, Nicarágua e Cuba - também estabeleceram ou renovaram seus vínculos militares com a Rússia", diz o documento.

A tendência do último ano é que "o gasto militar aumentou", explica o relatório, que adverte, no entanto, que "os objetivos estratégicos que levaram a um reforço das Forças Armadas continuam sendo opacos".

As disputas pelos recursos energéticos e pelos limites fronteiriços marcaram as relações exteriores, especialmente entre os Estados do Cone Sul e, "de forma regular, jogaram por terra a distensão alcançada diplomaticamente com muito trabalho".

No capítulo de proliferação armamentista, o IISS assinala que, "embora Brasil e Argentina tenham deixado de lado seu prévio interesse por armas nucleares, o Brasil está interessado agora em desenvolver tecnologia nuclear para a propulsão de submarinos".

O relatório alude também ao diferente impacto da crise econômica sobre os gastos com Defesa dependendo do país, com o Chile, por um lado, evitando cortes após renovar suas forças armadas justo antes da recessão e o Brasil, por outro, atrasando seus planos de renovação devido aos problemas econômicos.

Outra tendência apontada é a diversificação de mercados, já que embora os EUA continuem sendo o maior fornecedor de armamento à região, especialmente devido a seus multimilionários acordos com México e Colômbia, Rússia, China e Espanha entraram com força na região. EFE fpb/bba

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