Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas hoje em Paris para protestar contra a supressão de vagas de professores prevista nas reformas prometidas por Nicolas Sarkozy que, por sua vez, se recusa a ceder ante um movimento que amplia.

Segundo a polícia, seriam 20.000 colegiais, professores e pais de alunos; para os sindicatos, o número de pessoas chegava a 40.000.

Trata-se da sexta manifestação em três semanas contra o cancelamento de 11.200 vagas de professores, entre elas 8.830 no setor público.

Estas reduções de pessoal se inscrevem no quadro de medidas anunciadas por Sarkozy para tornar mais enxuta a máquina pública - com a não substituição de um funcionário em cada dois que se aposentam - e reduzir o importante déficit público, como exige a União Européia.

O presidente francês, que tenta reencontrar a popularidade perdida do início do mandato, enfrenta dificuldades para pôr em execução as reformas anunciadas. Voltou atrás, recentemente, no projeto de supressão da "carte famille nombreuse", para as famílias numerosas, que garantia reduções nos preços dos transportes.

Entre 19.000 e 35.000 pessoas se manifestaram na semana passada.

É em Paris e na periferia que a mobilização vem se tornando mais forte: bloqueios a estabelecimentos e choques com a polícia durante as manifestações.

Hoje, centenas de jovens lançaram objetos contra as forças da ordem que responderam com granadas de gás lacrimogêneo.

Estudantes e professores afirmam que as medidas de economia do governo vão acarretar uma degradação da qualidade do ensino.

Desde o início do movimento, o ministro da Educação Xavier Darcos tenta convencer a opinião pública de que as supressões das vagas não terão incidência sobre a qualidade do ensino.

Dos 11.200 postos cancelados, 3.500 serão compensados no ensino público através de horas suplementares.

sm-cls/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.