Estudantes voltam às ruas contra Chávez

CARACAS (Reuters) - Um influente movimento estudantil de oposição voltou ao centro do cenário político venezuelano, mobilizando-se contra a proposta de eliminar os limites à reeleição do presidente Hugo Chávez. A militância estudantil foi um dos principais fatores que levaram à derrota de uma proposta semelhante em 2007, mantendo o atual limite de dois mandatos de seis anos, o que manteria a revolução socialista de Chávez no poder no máximo até 2013.

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Chávez foi eleito pela primeira vez em 1998, e logo em seguida promoveu a adoção de uma nova Constituição. Sob ela, elegeu-se novamente em 2000 e 2006. No final de 2008, Chávez propôs novamente o fim do limite à reeleição, que será decidido num referendo em 15 de fevereiro.

Nos últimos dias, pequenos grupos de universitários fizeram manchetes por enfrentar a polícia. "Estamos aqui porque, ao apresentar uma nova reforma, o governo está mais uma vez desrespeitando a Constituição venezuelana", disse a jovem líder Manuela Bolívar em frente à polícia de choque, durante uma manifestação.

As pesquisas em dezembro mostravam resistência do eleitorado à proposta chavista, com o "não" à frente por cerca de 10 pontos percentuais. Mas os analistas prevêem uma disputa acirrada, já que Chávez fará uma forte campanha nas próximas semanas.

Na terça-feira, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar uma passeata não-autorizada; na quarta-feira, usou gás novamente, para liberar uma rua bloqueada. A imprensa venezuelana relatou incidentes entre estudantes e policiais em vários pontos do país.

Um policial em Mérida (oeste) foi ferido por um tiro disparado de dentro de uma universidade onde ocorrera uma manifestação estudantil, segundo o ministro do Interior.

Estudantes ligados à oposição prometeram uma grande passeata na sexta-feira até a sede da autoridade eleitoral, o que deve provocar novos confrontos com policiais e com seguidores do presidente.

O movimento estudantil formado em 2007 injetou novo ânimo na dividida oposição, mas praticamente desapareceu no ano seguinte, com o envolvimento de alguns de seus líderes em partidos políticos.

Agora, estudantes pró-Chávez também vão às ruas. No passado, grupos rivais acabaram travando batalhas com gás lacrimogêneo e, eventualmente, tiros.

Nos últimos incidentes, a TV do governo mostrou manifestantes da oposição usando máscaras antigás e escudos plásticos, atirando pedras e aparentemente incendiando um parque nacional que faz fronteira com o extremo norte de Caracas.

(Reportagem de Frank Jack Daniel)

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