Estudantes venezuelanos lideram oposição a Chávez

CARACAS - Após anos de derrotas na maioria das batalhas contra o presidente Hugo Chávez, os partidos de oposição na Venezuela deixaram ativistas estudantis liderarem a campanha para evitar que o líder socialista estenda seu mandato.

Reuters |


A oposição dividida espera que a energia renovada do movimento estudantil inexperiente, mas popular, surgido dois anos atrás, consiga superar a ligeira liderança de Chávez apontada pelas pesquisas. No domingo, os venezuelanos votam em um referendo que vai permitir ou não que Chávez concorra à reeleição em 2012.

Mesmo que a tática da oposição não consiga derrotar Chávez, a opção permite que a oposição se distancie de um passado manchado que inclui um golpe fracassado contra Chávez, um referendo revogatório e décadas de corrupção política no país.

Auxiliados por algumas vitórias nas eleições regionais de novembro, os estudantes ajudaram a renovar a imagem do movimento anti-Chávez.

"A sociedade venezuelana nos reconhece como uma geração nova, essa é uma das nossas forças", disse Paulo Nino, de 22 anos, estudante de medicina na Universidade Central da Venezuela, em Caracas.

Chávez menospreza os líderes estudantis, chamando-os de "riquinhos", mas eles negam fazer parte da elite e insistem estar lutando para proteger a democracia da Venezuela ao evitar que Chávez permaneça no cargo para o resto da vida.

A aprovação pública do movimento estudantil chega perto dos 80 por cento, de acordo com o respeitado instituto de pesquisas de opinião Datanalisis, comparados aos menos de 10 por cento de aprovação para os partidos de oposição ainda associados com a corrupção política da era pré-Chávez.

Os estudantes têm organizado manifestações e marchas e participarão das equipes com representantes da oposição nos locais de votação na esperança de repetir a derrota imposta em 2007 contra um pacote de reformas constitucionais que incluía a proposta atual.

"Não podemos deixar que isso seja percebido como uma luta entre os partidos políticos e Chávez", disse o conselheiro da oposição Enrique Márquez. Em vez disso, ele afirmou que os partidos querem "estimular a vanguarda da sociedade democrática que é o movimento estudantil".

As marchas estudantis acabaram algumas vezes em violência, em confrontos com a polícia, alimentando as críticas de Chávez de que eles buscam desestabilizar o governo. Mas o presidente manteve um diálogo cordial ao telefone este mês com um ex-líder estudantil - num reconhecimento tácito da importância do movimento.

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